Selic deve ficar em 13,75% na quarta (4), e PT da ala heterodoxa já ensaia ataques ao BC

A primeira decisão sobre juros desde a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva deve abrir uma nova frente de atrito entre o PT e o Banco Central. Na quarta-feira (4), o mercado espera a manutenção da Selic em 13,75% ao ano, e dirigentes petistas, sobretudo os da ala mais heterodoxa, já preparam críticas à condução da política monetária.
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O Palácio do Planalto, por outro lado, não pretende entrar diretamente na disputa. Na prática, o desgaste político da decisão ficará com o partido.
Ala heterodoxa do PT mira os juros altos
Para o PT, a taxa elevada trava o crescimento, deixa o crédito mais caro e atrapalha a agenda de desenvolvimento que Lula defende. Interromper o ciclo de cortes logo após a vitória nas urnas tende a aumentar o descontentamento, principalmente entre setores do partido que querem um Estado mais presente na economia.
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A divisão, portanto, é grande. De um lado, a legenda cobra juros menores; de outro, o cenário econômico pesa contra qualquer afrouxamento neste momento.
Mercado pressiona o Banco Central
Desde o segundo turno, o Ibovespa acumula perdas relevantes e o dólar chegou perto de 5,50 reais. As expectativas de inflação também voltaram a subir. Na pesquisa Focus divulgada na semana, a projeção para o IPCA de 2027 foi para 4,76%, acima do teto do intervalo de tolerância da meta.
Com esse quadro, a maior parte dos economistas aposta que o Banco Central mantenha os juros.
Silêncio do Planalto tem peso político
Ao evitar assumir as críticas ao BC, a Presidência deixa de elevar a tensão institucional num momento de nervosismo nos mercados. Isso, porém, não impede que o partido expresse insatisfação. Também não significa, necessariamente, que governo e PT tenham uma estratégia combinada para pressionar a autoridade monetária.
O que os investidores esperam do comunicado do Copom
A discussão deve ganhar força quando o Copom divulgar seu comunicado, ainda na noite de quarta-feira (4). Mais do que a manutenção da Selic, o mercado vai observar como o Banco Central avalia o cenário fiscal e os riscos para a inflação.
Se a autoridade monetária sinalizar que os juros ficarão altos por mais tempo, as cobranças dentro do PT tendem a crescer. O impasse, no fim, deve acompanhar Lula no início do quarto mandato: de um lado, a pressão partidária por crescimento e crédito mais barato; do outro, a necessidade de credibilidade fiscal para que a queda dos juros seja sustentável.
Editoria:
Redação Política
A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



