Leal sobre o Copom: “O Banco Central vai esperar a poeira baixar” após vitória de Lula

Economista vê pausa nos cortes da Selic por causa do dólar em alta, e a decisão de dezembro dependerá dos sinais do governo sobre as contas públicas.

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Homem de terno escuro e camisa branca posa em ambiente corporativo com fundo desfocado | Foto: Reprodução/Seu Dinheiro
Homem de terno escuro e camisa branca posa em ambiente corporati...
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O economista Luis Otavio Leal avalia que a alta do dólar após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva deve levar o Banco Central a interromper os cortes na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Para ele, a decisão de dezembro vai depender sobretudo dos sinais do governo sobre as contas públicas.

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Em entrevista ao Seu Dinheiro, Leal afirmou que, para a reunião da semana que vem, a aposta é de manutenção, porque não há clima para reduzir os juros. Antes da eleição, o cenário apontava para cortes nas duas reuniões restantes do ano, mas a reação da moeda americana mudou essa leitura.

Dólar em alta deve travar a Selic

Na visão do economista, a combinação entre a valorização da moeda americana e o risco de piora das expectativas de inflação deve fazer o BC aguardar. Ele resumiu a leitura com uma frase: “Eu acho que, com a vitória do Lula e a reação do mercado, principalmente na questão ligada ao dólar, o Banco Central vai esperar a poeira baixar.”

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O movimento também apareceu no Boletim Focus divulgado na terça-feira (3). Os economistas elevaram a projeção para a Selic no fim de 2026 de 13,25% para 13,50%. Para 2027, a estimativa saiu de 11,75% para 12,50%, um sinal de juros mais altos por mais tempo.

Atividade fraca ajuda, mas câmbio pesa

O dilema do Banco Central está em um lado e no outro da balança. De um lado, o aperto monetário já atinge famílias e empresas. Leal cita o endividamento das famílias, o peso da renda comprometida com dívidas, a alta da inadimplência e o aumento das recuperações judiciais.

A atividade econômica também perde fôlego além do esperado. Pelos indicadores recentes, sobretudo os do varejo, o economista vê possibilidade de o Produto Interno Bruto (PIB) recuar 0,1% a 0,2% no terceiro trimestre. “Quando você olha os dados, a sensação é que a economia está desacelerando mais do que estava esperado”, disse.

Com menos consumo, as empresas têm mais dificuldade para repassar aumentos de preços, o que ajuda a conter a inflação e pode abrir espaço para juros menores. Já o câmbio joga no sentido oposto. O dólar mais caro encarece importados e insumos, e isso pressiona os preços internos.

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Leal acredita que a moeda deve seguir em patamar elevado, mesmo com a acomodação da reação inicial à eleição, e que as saídas de recursos típicas do fim do ano podem reforçar essa pressão.

Expectativas de inflação e postura fiscal entram na conta

Além do dólar, Leal observa o risco de as expectativas de inflação para 2028 e 2029 se distanciarem ainda mais da meta. Essas projeções alimentam os modelos do Banco Central. Se subirem, elevam a inflação estimada para o período em que os juros produzem seus efeitos mais fortes, o que reduz a margem para cortes.

Por isso, o economista diz que a resposta para a Selic passa pela política fiscal. “Eu acho que o que vai definir é a postura do novo governo Lula na questão fiscal”, afirmou. Na avaliação dele, as medidas adotadas entre setembro e outubro aumentaram a exigência do mercado, e recuperar a confiança dos investidores exigiria um ajuste mais duro do que o que Lula estaria disposto a fazer.

Ainda assim, um sinal de maior controle das contas públicas poderia ajudar o BC a enxergar um quadro mais favorável à inflação. Até lá, Leal trabalha com a manutenção da Selic também em dezembro, ressalvando que a projeção pode mudar conforme o cenário evoluir.

Dominância fiscal ainda não aparece no horizonte

O debate ganhou o termo dominância fiscal. Nesse cenário, subir os juros deixa de combater a inflação e passa a agravá-la, porque o custo da dívida passa a preocupar o mercado sobre a capacidade de pagamento do país. A consequência seria saída de recursos, dólar mais alto e mais pressão sobre os preços.

Leal considera esse risco possível, mas não provável nas condições descritas na entrevista. “Eu acho que a gente ainda não está perto de uma dominância fiscal”, disse. Segundo ele, o mercado ainda enxerga a alta da Selic como ferramenta para conter a inflação, sem que isso provoque, por si só, fuga de capitais ou desvalorização cambial.

O economista alerta, porém, que a passagem de um cenário para outro pode acontecer rápido. “A transição entre um cenário normal e um cenário de dominância fiscal não é um cenário linear”, afirmou. “Ele acontece, assim, abruptamente.”

A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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