Boletim Focus: mercado eleva Selic de 2027 a 12,50% e vê inflação acima do teto da meta

Dólar projetado a R$ 5,40 e PIB de 2027 revisado a 1,20% completam um quadro de juros altos e crescimento fraco, no primeiro Focus após o segundo turno.

3 min

Fachada da sede do Banco Central | Foto: Reprodução/Veja
Fachada da sede do Banco Central | Foto: Reprodução/Veja

O mercado financeiro elevou as projeções para juros, inflação e dólar em 2027 e, ao mesmo tempo, reduziu a expectativa de crescimento da economia brasileira. Os números constam do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na terça-feira (3), no primeiro levantamento após o segundo turno das eleições presidenciais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A revisão quebra a tendência da semana anterior, quando as projeções para juros e dólar tinham recuado. Desta vez, a Selic estimada para o período subiu de 11,75% para 12,50% ao ano, e a previsão de inflação avançou de 4,34% para 4,76%.

Inflação passa a superar o teto da meta em 2027

O Banco Central persegue uma meta de 3% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação. A tolerância é de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que fixa um limite máximo de 4,5%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A projeção atual já ultrapassa esse teto. Os juros maiores completam o quadro: quem toma crédito paga mais caro, e a inflação corrói o poder de compra da população.

Dólar sobe e crescimento de 2027 cai pela terceira semana

No câmbio, os economistas passaram a prever que o dólar fechará 2027 em R$ 5,40, ante os R$ 5,15 projetados antes. A mudança encerrou três semanas seguidas de queda nas estimativas para a moeda americana.

Ao mesmo tempo, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2027 caiu de 1,31% para 1,20%. Foi a terceira semana consecutiva de corte. O PIB soma os bens e serviços produzidos no país e serve de termômetro da atividade econômica.

Com menos atividade, investimentos e emprego tendem a crescer menos. Essa combinação de inflação alta, juros elevados e crescimento fraco aponta um cenário mais difícil para o ano seguinte.

Leia também

Revisões alcançam 2026, 2028 e 2029

Para 2026, a inflação esperada subiu de 5,19% para 5,22%, e a Selic do fim do ano passou de 13,25% para 13,50%. O dólar saiu de R$ 5,05 para R$ 5,34, enquanto o crescimento do PIB recuou de 1,80% para 1,76%.

Nos anos seguintes, a piora também aparece. Para 2028, a inflação prevista foi de 3,75% para 4%, e a Selic, de 10% para 11%. Já em 2029, a inflação esperada foi de 3,50% para 3,98%, e os juros, de 10% para 10,25%.

Dívida pública e déficit primário também sobem

As contas públicas também entraram na revisão. A dívida líquida do setor público em 2027 foi de 74% para 74,20% do PIB, e o déficit primário estimado passou de 0,30% para 0,40% do PIB.

O resultado primário mostra a diferença entre receitas e despesas do governo, sem contar os juros da dívida. O Boletim Focus reúne, toda semana, as projeções de instituições financeiras e de outros participantes do mercado. As estimativas desta edição foram coletadas até sexta-feira, 30 de outubro, já depois da eleição de domingo, 25.

Apesar do momento, os dados não permitem atribuir toda a mudança nas expectativas apenas ao resultado eleitoral.

A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!