Copom mantém Selic em 13,75% e pausa cortes de juros após cinco reduções em 2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano na quarta-feira, 4. A decisão interrompe o ciclo de cortes de juros no Brasil, que vinha de cinco reduções realizadas ao longo de 2026.
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Essa é a primeira vez desde janeiro de 2026 que o BC deixa de reduzir os juros. A Selic chegou a 15% ao ano em junho de 2025, maior patamar em mais de 20 anos, e ficou nesse nível até março de 2026, quando o Banco Central começou um novo ciclo de flexibilização monetária.
Mercado já apostava em manutenção após a eleição
Antes do resultado da eleição presidencial, a maioria dos analistas do mercado financeiro previa um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 13,50% ao ano. A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mudou essa leitura.
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Depois da vitória de Lula, as apostas passaram a apontar a manutenção da Selic em 13,75% ao ano. A decisão do Copom confirmou esse cenário, que já era a expectativa mais recente do mercado.
Piora da inflação pesou na decisão do Copom
No comunicado divulgado após a reunião, o Copom disse que a decisão é compatível com a estratégia de levar a inflação para perto da meta. Segundo o colegiado, o cenário inflacionário piorou desde a reunião anterior, tanto no Brasil quanto no exterior.
Entre os motivos, o comitê citou a guerra no Oriente Médio, que se prolongou, e a alta do petróleo e de seus derivados. Também pesou a manutenção de juros mais altos nas economias avançadas. Para o Copom, esse quadro elevou a instabilidade dos preços de ativos financeiros e de commodities, como o petróleo e os produtos agrícolas, e pede mais prudência dos países emergentes.
No plano doméstico, o Copom observou uma desaceleração mais forte da atividade, sobretudo em setores sensíveis ao crédito e aos juros. O mercado de trabalho segue resistente, mas já mostra sinais de esfriamento. Mesmo com a economia perdendo fôlego, a inflação acumulada e a inflação subjacente, que medem tendências mais persistentes dos preços, aceleraram e ficaram acima do teto da meta.
O Banco Central também incluiu a política fiscal brasileira entre os fatores que exigem cautela na definição dos juros. Segundo o comunicado, o comitê continua acompanhando como os rumos fiscais do país afetam a política monetária e os preços dos ativos, em um ambiente de incerteza maior.
Na lista de riscos de alta para a inflação, o colegiado citou ainda a chance de estímulos à demanda, sobretudo ao consumo, levarem a economia a crescer acima do seu potencial e enfraquecerem os canais por onde a política monetária chega aos preços.
Outro alerta envolve a combinação de políticas internas e externas, que pode gerar pressões maiores do que as previstas, inclusive por meio de uma desvalorização persistente do real. Para o Copom, a soma de inflação alta, expectativas em alta, riscos fiscais e desaceleração econômica exige cautela na condução dos juros.
O que o Copom sinalizou para a próxima reunião
O Banco Central afirmou que vai continuar avaliando os indicadores econômicos e a evolução das expectativas de inflação antes de definir os próximos passos.
O colegiado classificou a taxa atual como substancialmente contracionista, termo usado para juros que restringem crédito, consumo e investimentos e ajudam a conter a demanda e a inflação. Ao mesmo tempo, reconheceu que os indicadores de atividade são compatíveis com uma trajetória de desaceleração ao longo de 2026.
Ao fechar o comunicado, o Copom disse que o cenário pede serenidade e cautela e que seguirá acompanhando a evolução das condições econômicas para manter o nível de restrição necessário à convergência da inflação à meta.
Editoria:
Redação Economia
A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



