Reforma tributária deve levar 21% das grandes empresas a mudar centros de distribuição

Uma em cada cinco grandes empresas brasileiras planeja mudar a localização de seus centros de distribuição entre estados, e a reforma tributária é o principal motivo. A constatação é de uma pesquisa do Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain), realizada no primeiro semestre de 2026 com mais de 100 das maiores indústrias e varejistas do país em faturamento.
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O levantamento mostra que, com as novas regras de tributação, o peso dos incentivos fiscais estaduais perde força na hora de decidir onde instalar um CD. No lugar disso, entram fatores como custos logísticos e a distância até o consumidor final.
Mudança de rota e o papel de São Paulo
Dos entrevistados, 21% afirmam que vão alterar a localização dos centros de distribuição principalmente por causa da reforma. Outros 13% dizem que farão mudanças por decisões internas. Já 49% não preveem alterações, e 17% ainda não avaliaram a possibilidade.
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O instituto aponta ainda uma tendência de concentração das operações logísticas no estado de São Paulo. Isso porque a substituição gradual do ICMS pelo IBS, que será cobrado no destino, reduz o peso dos benefícios fiscais estaduais na escolha da localização.
Com isso, a proximidade do mercado consumidor e a eficiência da malha logística ganham relevância.
Para Rodrigo Tourinho, sócio – executivo do Ilos, antes da reforma a arquitetura fiscal e os incentivos estaduais tinham grande influência na localização dos armazéns. Agora, segundo ele, “a prioridade será a redução de custos logísticos e a proximidade do consumidor”.
Preparação ainda é baixa e custos preocupam
Apesar das mudanças previstas, o nível de preparação das empresas para a transição ainda é baixo. Apenas 13% afirmam já ter mapeado integralmente as adaptações necessárias em suas cadeias logísticas até 2033, quando o novo sistema tributário estará plenamente implementado.
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Em relação aos custos, a pesquisa mostra um cenário de incerteza. Em todos os seis componentes avaliados, a parcela de empresas que projeta alta de custos supera a que projeta redução. No setor de transportes, por exemplo, 37% esperam aumento e 30%, redução — a menor diferença entre os itens.
Já em mão de obra de armazenagem, 36% preveem aumento e apenas 8%, redução.
O instituto avalia que essa combinação de custo pressionado com uma rede logística ainda desenhada sob a lógica fiscal antiga torna as decisões de localização dos próximos anos determinantes para a competitividade das companhias.
Visão dividida sobre os efeitos da reforma
A percepção sobre os impactos da reforma na cadeia de suprimentos é bastante dividida. Para 45% das empresas, o efeito será positivo ou muito positivo. Já 38% esperam um impacto negativo ou muito negativo.
O gráfico da pesquisa indica ainda que 67% acreditam que a reforma deixará a operação logística mais otimizada, contra 25% que não esperam esse resultado. Por outro lado, há incerteza sobre parte dos efeitos: 31% das empresas ainda não avaliaram o impacto sobre os custos de importação, e 24% não analisaram os efeitos sobre a compra de insumos.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



