Democratas miram 2028: governadores e senadores se movem para suceder Trump, mas sem favorito claro

Com o encerramento das campanhas de Meio de Mandato, a disputa para suceder o presidente Donald Trump deve ganhar ritmo. Já há um grupo potencialmente numeroso de democratas se posicionando para 2028, mas ainda não surgiu um nome de destaque claro.
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Entre os possíveis candidatos estão governadores, senadores e nomes que já disputaram eleições anteriores. Nas últimas semanas, eles percorreram estados que abrem as primeiras etapas da escolha de candidatos. O movimento segue meses de articulação com doadores, esforços para ganhar visibilidade e lançamentos de livros, passos comuns para quem pretende chegar à Casa Branca.
No campo republicano, a disputa é menos concorrida. O vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio aparecem como os nomes mais citados para suceder Trump, que não pode ser eleito presidente uma terceira vez por impedimento constitucional.
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Até agora, ninguém oficializou pré-candidatura para o pleito de novembro de 2028.
A história também mostra que pesquisas iniciais e senso comum podem falhar. Quando lançou sua candidatura em 2016, Trump tinha cerca de 1% de apoio entre eleitores das primárias republicanas. Bill Clinton, por sua vez, aparecia com menos de 1% nas primeiras pesquisas entre os democratas, antes de vencer a eleição presidencial de 1992.
A seguir, os democratas que mais têm chamado atenção, reunidos por categoria e em ordem alfabética.
Governadores já percorrem estados e arrecadam fundos
Vários governadores democratas são vistos como possíveis pré-candidatos. Eles atraem atenção cedo, com viagens, arrecadação de recursos e projeção nacional crescente.
O governador de Kentucky, Andy Beshear, assumiu neste ano a presidência da Associação de Governadores Democratas, o que lhe dá uma plataforma para divulgar sua trajetória em um estado de forte inclinação republicana. Ele também fez campanha para candidatos democratas em estados decisivos, como Wisconsin e Geórgia. Em entrevista concedida em setembro, deu a entender que pode disputar 2028, já que deixa o cargo em dezembro de 2027.
Beshear foi eleito duas vezes em um estado que Trump venceu por mais de 30 pontos percentuais em 2024. Por outro lado, ele é pouco conhecido fora de Kentucky, e sua postura mais voltada ao bipartidarismo pode não agradar eleitores das primárias democratas.
Pesquisas indicam que muitos desses eleitores acham que o partido não enfrenta Trump e suas políticas com a firmeza necessária.
O atual governador da Califórnia, Gavin Newson, lançou um livro de memórias em fevereiro e visitou Nevada, New Hampshire e Carolina do Sul, estados que abrem o processo de indicação presidencial. Em setembro, declarou à CNN que não se candidataria caso a ex-vice-presidente Kamala Harris entrasse na disputa.
Em junho, acusou Trump de orientar o Departamento de Justiça a investigá-lo, e também à sua esposa, por motivação política, por ele cogitar uma candidatura.
Newson será sucedido por Xavier Becerra, que venceu as Eleições de Meio de Mandato no início de novembro. A posse está marcada para janeiro de 2027. Newson ganhou perfil nacional com críticas contundentes a Trump. Já a Califórnia tem alguns dos preços de gasolina, impostos e taxas de população em situação de rua mais altos dos Estados Unidos, temas que os republicanos provavelmente explorariam caso ele se lançasse.
O governador reeleito de Illinois, JB Pritzker, também viajou para estados que realizam votações antecipadas, entre eles Nevada, New Hampshire e Carolina do Sul. Em entrevista ao programa “Meet the Press”, da NBC, no dia 1º de novembro, não descartou uma candidatura.
Afirmou que seu foco é o que for melhor para o povo de Illinois e para a eleição de democratas.
Pritzker ganhou projeção ao criticar o envio, por Trump, de tropas da Guarda Nacional e agentes federais de imigração para cidades americanas. Herdeiro do império hoteleiro Hyatt, ele é bilionário e, por isso, pode depender menos de doadores. Essa mesma riqueza, porém, pode virar alvo de rivais, que o apresentariam como alguém desconectado de eleitores com dificuldades econômicas ou dependente demais da fortuna pessoal.
O governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, lançou um livro de memórias este ano. Em outubro, criou um comitê de ação política em nível federal, mecanismo para arrecadar fundos para candidatos democratas e, eventualmente, sustentar uma futura campanha sua.
Ele é popular em um estado decisivo, que Trump venceu em 2024.
No programa “Face the Nation”, da CBS News, em 1º de novembro, Shapiro disse estar concentrado em ajudar os democratas a vencer as Eleições de Meio de Mandato na Pensilvânia. Ele foi reeleito em 3 de novembro. Em abril, porém, foi mais direto: afirmou que o partido terá de debater os rumos do país após as eleições. “E eu farei parte dessa conversa”, disse.
Shapiro, que é judeu, é visto como um democrata pró-Israel em um momento em que as críticas ao país crescem dentro do partido, por causa das guerras de Israel em Gaza e contra o Irã. Ele se opõe, porém, à guerra contra o Irã liderada pelos Estados Unidos e por Israel.
Também aparecem nas especulações Wes Moore, de Maryland, que afirmou não pretender se candidatar, e Gretchen Whitmer, de Michigan. Em maio, ela pareceu descartar a candidatura, mas voltou atrás logo em seguida: “Nunca diga nunca”. Em entrevista ao “Meet the Press” em outubro, não descartou a possibilidade.
Kamala Harris admite estudar nova candidatura
A ex-vice-presidente Kamala Harris tem sido a mais explícita sobre a chance de disputar de novo a Presidência, depois da derrota para Trump em 2024. “Talvez. Talvez. Estou pensando nisso”, disse em abril. Em outubro, durante um podcast, afirmou que ainda não havia decidido, mas prometeu tomar uma decisão.
Durante setembro e outubro, Harris participou de atos de apoio a candidatos democratas em seis estados, entre eles Nevada, New Hampshire e Michigan, este último decisivo na disputa presidencial. Ela é bastante conhecida e tem bom desempenho entre democratas nas pesquisas iniciais para 2028.
Harris, porém, enfrenta obstáculos. Se concorrer, será sua terceira tentativa de chegar à Presidência, e candidatos que já perderam costumam ser vistos com ceticismo nas primárias. Seus vínculos com Biden também podem pesar, já que alguns democratas afirmaram que a demora dele em desistir da disputa de 2024 prejudicou as chances do partido.
Jon Ossoff descarta disputa em 2028
Vários senadores democratas alimentaram especulações sobre 2028. O nome de Jon Ossoff, da Geórgia, é um deles, mas ele negou que pretenda se candidatar. Durante um debate em outubro, enquanto disputava a reeleição para o Senado, disse não ter “interesse algum” em concorrer à Presidência.
O perfil de Ossoff ganhou destaque nos últimos meses com discursos em que criticou Trump, chamando-o de corrupto e inapto para o cargo, em linguagem incomumente direta que repercutiu na imprensa. Ele foi reeleito para o Senado em 3 de novembro.
Recém-reeleito em um estado que deve ser importante campo de batalha em 2028, Ossoff é apontado como comunicador jovem e habilidoso, com popularidade em alta entre democratas. Por outro lado, tem pouquíssima experiência em cargos executivos e pode ter dificuldade para conquistar progressistas que querem uma figura mais combativa.
Alexandria Ocasio-Cortez decide após as eleições
A representante dos EUA por Nova York, Alexandria Ocasio-Cortez, se identifica como socialista democrática. Ela é uma das figuras progressistas de maior destaque do país e costuma ser vista como a provável herdeira do movimento que o senador Bernie Sanders construiu em suas duas campanhas presidenciais.
Em setembro, ela disse ao jornal New York Times que decidiria, depois das Eleições de Meio de Mandato, se concorreria à Presidência. Conhecida como AOC, é popular entre muitos democratas e costuma reunir multidões entusiasmadas em suas aparições públicas.
Os republicanos, por sua vez, costumam apresentá-la como a principal voz da ala esquerda do partido. Eles citam seu apoio à tributação dos mais ricos e a programas financiados pelo governo, pontos que devem ser explorados caso ela entre na disputa.
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