Inflação na zona do euro sobe de 3,8% para 4,0% e energia chega a 20% em outubro, diz Eurostat

A inflação na zona do euro subiu para 4,0% em outubro, o maior nível em três anos, impulsionada pelo aumento dos custos de alimentos e energia. O índice estava em 3,8% no mês anterior. Os dados foram divulgados na quarta-feira pelo Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia, e ficaram em linha com a pesquisa da Reuters com economistas.
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Os números reforçam os argumentos para um novo aumento da taxa de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) em dezembro. A inflação de energia chegou a 20%, e a expectativa é de que o índice suba ainda mais nos próximos meses.
Núcleo da inflação segue estável em 2,5%
O núcleo da inflação, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, ficou estável em 2,5%, também em linha com as expectativas. Para os analistas, o dado indica que os temidos efeitos de segunda ordem ainda não apareceram.
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“Apesar da ausência de sinais de efeitos de segunda ordem, os dados de inflação divulgados hoje reforçam os argumentos já sólidos a favor de um aumento da taxa de juros pelo BCE em dezembro, já que o banco central teme que, quanto mais tempo o choque energético se prolongar, maiores sejam os riscos de que pressões inflacionárias mais amplas se tornem mais arraigadas”, afirmou Nicola Nobile, da Oxford Economics.
A inflação vem subindo acima da meta de 2% do BCE desde o início do ano, à medida que a guerra dos EUA com o Irã elevou os custos da energia. O impacto chega aos preços de varejo em um bloco que importa a maior parte de sua energia.
Bancos centrais sinalizam novas altas de juros
O BCE manteve os juros inalterados na semana passada, mas vários formuladores de política monetária, entre eles os presidentes dos bancos centrais da Alemanha e da Itália, já sinalizaram que um novo ajuste em dezembro é provável. Hoje, os mercados precificam entre dois e três aumentos na taxa de depósito, atualmente em 2,5%, ao longo do próximo ano.
As expectativas mudam com frequência, acompanhando o preço do petróleo.
O banco central da Suécia também endureceu a política monetária na quarta-feira e sinalizou mais aumentos à frente. O receio é que a inflação do setor energético se espalhe para a economia como um todo. Já o Banco da Inglaterra deve seguir o mesmo caminho na quinta-feira, elevando a taxa básica para 4,00%, diante da previsão de que a inflação ultrapasse 4% no início do próximo ano.
Alimentos pressionam e podem contaminar as expectativas
A inflação de alimentos continuou a acelerar, e os preços dos alimentos não processados subiram 4,6% em relação ao ano anterior. Esse grupo pesa pouco na cesta de consumo, mas inclui produtos que as famílias compram com frequência. Economistas avaliam que mudanças rápidas nesses preços podem afetar de forma desproporcional as expectativas de inflação.
A inflação de serviços, o maior item isolado da cesta, subiu de 3,2% para 3,3%. Já os preços dos bens industriais avançaram 1,2%, depois de alta de 1,1% no mês anterior.
Os economistas alertam que o custo elevado do diesel e do gás natural ainda corre o risco de chegar aos preços de outros bens e serviços, com efeitos indiretos que devem durar. Os baixos estoques de gás natural também criam um grande risco de alta nos custos de aquecimento.
Segundo eles, o efeito pode não aparecer nos dados atuais, mas deve se manifestar nos próximos meses, sobretudo em janeiro, quando vários produtos costumam ter reajustes.
BCE projeta inflação acima de 4% no primeiro semestre de 2027
O BCE agora espera que a inflação fique acima de 4% durante grande parte do primeiro semestre de 2027. Depois disso, o índice deve cair rapidamente para a “faixa baixa dos 2%”, quando os números altos do ano anterior saírem da base de comparação.
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Redação Economia
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