Copom mantém Selic em 13,75% e economistas veem pausa que pode passar de dezembro

Economistas consultados pela EXAME avaliam que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de interromper o ciclo de cortes da Selic reforça a expectativa de juros elevados por mais tempo. Na quarta-feira (4), o Banco Central manteve a taxa básica em 13,75% ao ano e abriu espaço para uma pausa prolongada.
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A piora do cenário inflacionário também faz de uma eventual nova alta dos juros um dos riscos apontados pelos analistas. A maioria dos especialistas espera que o Copom mantenha a Selic no patamar atual na última reunião de 2026, em dezembro.
Pausa pode se estender além de dezembro
A decisão encerrou uma sequência de cinco cortes consecutivos, iniciada em março. O BC reconheceu uma desaceleração mais intensa da economia e sinais de perda de força do mercado de trabalho, mas pesou mais a aceleração da inflação, a deterioração das expectativas e o aumento das incertezas no cenário internacional.
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O comunicado também trouxe projeções mais pessimistas. A estimativa para 2027 subiu de 3,9% para 4,7%. Já a projeção para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, ficou em 3,5%, acima da meta de 3%.
Para Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, a interrupção pode durar mais do que uma reunião. Ele destaca que o Copom retirou do texto a referência à “magnitude total do ciclo de calibração”, que antes indicava que a extensão dos cortes dependeria da evolução dos dados. “A retirada da referência à ‘magnitude total do ciclo de calibração’ indica que a pausa poderá se estender além da reunião de dezembro”, afirma Oliveira.
O Banco Pine trabalha com a Selic em 13,75% na última reunião do ano. Segundo Oliveira, a retomada dos cortes em 2027 depende de melhora das expectativas de inflação, da evolução da política fiscal e da desaceleração da economia.
Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, também projeta juros estáveis em dezembro. Para ele, o comunicado foi cauteloso ao reconhecer a perda de força da atividade, mas destacou que a inflação corrente voltou a acelerar e que as expectativas seguem distantes da meta.
Na avaliação dele, a combinação de maior incerteza, pressões inflacionárias e riscos fiscais limita novas reduções no curto prazo.
Desaceleração da economia reduz espaço para alta da Selic
Natalie Victal, economista-chefe da Sul América Investimentos, afirma que o texto mostra maior preocupação do Banco Central com a desaceleração econômica, o que diminui a disposição para uma nova alta. Ela classifica o tom da comunicação como entre neutro e dovish, termo usado para uma postura mais favorável à flexibilização monetária.
Victal também chamou atenção para a retirada da palavra “mais” na qualificação do cenário alternativo para o hiato do produto, indicador que mede a distância entre a atividade efetiva e seu potencial sem gerar pressões adicionais sobre os preços.
Para a economista, a mudança sugere que o BC enxerga uma economia com menos pressão sobre os preços.
Ainda assim, ela vê sinais de cautela, sobretudo na aceleração dos núcleos de inflação, que buscam captar a tendência dos preços ao reduzir o peso de oscilações temporárias, e na deterioração do ambiente internacional. “Ou seja, entrega a manutenção, mas mostra que a barra para debater alta é elevada. Ou seja, estratégia que ele tem em mente é higher for longer”, disse.
Banco Central deixa espaço para nova alta dos juros?
Apesar da avaliação predominante de manutenção, José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, considera que a deterioração recente das condições financeiras pode exigir uma reação mais dura do BC. Ele aponta a desvalorização do real, a queda no mercado acionário e a alta das taxas de juros futuros nos dias anteriores à decisão.
“Sem dúvida, esse movimento dos preços dos ativos vai continuar persistindo durante algum tempo e deve inclusive afetar a taxa de inflação nos próximos meses, o que muito provavelmente deverá fazer com que o próximo Copom tenha que elevar a taxa de juros”, afirma Camargo.
A última reunião do Copom em 2026 está marcada para os dias 8 e 9 de dezembro. Até lá, novos dados de inflação e atividade econômica podem mudar as avaliações sobre a duração da pausa e os riscos para a trajetória da Selic.
Editoria:
Redação Economia
A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



