Fed tem 90% de chance de manter juros em 3,75%-4% hoje, com decisão às 15h de Brasília

O Federal Reserve deve manter as taxas de juros inalteradas na quarta-feira, a menos de uma semana das eleições de meio de mandato nos EUA, cujo foco é o custo de vida. Os formuladores de política monetária ainda esperam para ver se a inflação vai ceder ou se seguirá forte o bastante para justificar novas altas dos juros.
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Autoridades do banco central sinalizaram paciência depois de elevarem os juros em 0,25 ponto percentual no mês passado. Manter a taxa de referência na faixa atual de 3,75% a 4,00% também empurraria a discussão para depois da votação de 3 de novembro. Nela, os eleitores vão decidir se o Partido Republicano do presidente Donald Trump mantém o controle do Congresso nos dois últimos anos do mandato ou cede uma ou ambas as câmaras aos democratas.
O mercado já conta com a pausa. Há cerca de 90% de probabilidade de que o Fed mantenha as taxas, segundo a ferramenta Fed Watch do CME Group, e a decisão sai às 15h (horário de Brasília). Os investidores, porém, já olham para o ritmo e a magnitude dos próximos aumentos, que consideram praticamente inevitáveis diante da força da inflação.
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Energia, tarifas e IA pressionam os preços
Economistas e muitas autoridades do Fed agora veem os preços subindo por causa do choque persistente nos custos de energia, resultado da decisão de Trump de atacar o Irã. Os efeitos remanescentes das tarifas também pesam, assim como a forte demanda do setor de inteligência artificial e os gastos sólidos dos consumidores.
Para as autoridades, a inflação puxada pela demanda está mais sob seu controle. A preocupação maior é que os aumentos se espalhem por toda a economia, o que pode levar alguns formuladores a defender uma alta de juros que consideram necessária para impedir a aceleração.
“Hoje, a questão não é tanto se o Fed aumentará as taxas novamente, mas quantos aumentos ainda virão”, escreveu Dario Perkins, diretor-gerente de macroeconomia global da TS Lombard. Em análise, ele sugeriu que o Fed pode ser forçado a uma série de aumentos “se a bolha da IA não estourar”.
Meta de 2% segue distante, aponta análise
Em discurso de 28 de agosto, o presidente do Fed, Kevin Warsh, prometeu trazer a inflação de volta a 2% “com rapidez suficiente”. Perkins afirmou que o banco central “precisará continuar aumentando as taxas até que sua meta esteja à vista”. Como isso ainda não está no horizonte, Warsh terá de conciliar a meta com qualquer decisão de manter os juros estáveis.
A declaração de política monetária ficou bem mais sucinta desde que Warsh assumiu o cargo, no final de maio, e não deve trazer muitas explicações. Ainda assim, é provável que ele seja questionado, na coletiva marcada para começar às 15h30, sobre por que a pausa foi considerada apropriada.
PCE de setembro sai na quinta-feira
A meta de inflação do Fed é medida pelo Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE). Estimativas iniciais mostram que o índice geral, assim como medidas que excluem preços voláteis de commodities e de produtos não comercializados, subiu em setembro.
Todos seguem em 3% ou mais em base anualizada, com pouco progresso nos últimos meses.
O relatório completo do PCE referente a setembro será divulgado na quinta-feira, um dia após o término da reunião. Os dados dos componentes já permitem, porém, que os formuladores tenham uma estimativa sólida dos números.
Desde que Warsh assumiu, dinâmicas que os formuladores apontavam como alívio para a inflação ainda não se concretizaram. É o caso do fim da guerra entre EUA e Israel contra o Irã e das melhorias de produtividade trazidas pela IA. Depois de uma calmaria no verão do hemisfério norte, que ajudou a reduzir a inflação mensal em junho e julho, o preço de referência global do petróleo voltou a subir e chegou a cerca de US$114 por barril, alta de cerca de 20% desde o início de setembro.
Os preços do diesel, insumo essencial para agricultura, construção civil e transporte, estão próximos de níveis recordes e têm sido determinantes para a alta da inflação. O boom da IA, por sua vez, passou a ser visto em todo o Fed como fator de inflação de curto prazo, independentemente de seu potencial para tornar a economia mais produtiva no médio ou longo prazo.
Mercado vê três altas até junho de 2027
A amplitude e a persistência da inflação serão fundamentais no debate do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), responsável pela definição das taxas, mesmo que as autoridades concordem em mantê-las inalteradas por enquanto. A avaliação é de Derek Tang, economista da Monetary Policy Analytics, que escreveu o texto antes da reunião desta semana.
A empresa de Tang prevê que o Fed aprove mais três aumentos de 0,25 ponto percentual em suas próximas reuniões. A projeção segue as expectativas do mercado, que espera aumentos trimestrais até junho de 2027. Para não parecer complacente após uma pausa diante de dados mais fortes de preços, Warsh deve enquadrar a suspensão de outubro em um cenário amplo. “Impedir que a inflação se espalhe de choques de oferta pontuais para a demanda de forma mais ampla é a principal preocupação até mesmo para a ala moderada do Comitê”, afirmou Tang.
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Redação Economia
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