Mesmo com Trump questionando a eleição, Embaixada dos EUA vê vitória de Lula como definitiva

Relatório enviado ao Departamento de Estado cita 34 mil votos após as 17h, 0,03% do total, e diferença de 4,4 milhões para rebater a tese de Flávio Bolsonaro.

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Às vésperas da eleição, EUA suspendem atendimento em embaixada e consulados por ‘questão de segurança’ A Embaixada dos EUA no Brasil – Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília enviou, na última segunda-feira (26), um relatório oficial a órgãos do governo estadunidense, incluindo o Departamento de Estado. No documento, a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, disputado no domingo (25), aparece como “definitiva” e “surpreendente”.

O texto tem como título “Eleições no Brasil: Lula é eleito em resultado surpreendente, mas definitivo; Flávio Bolsonaro considera resultado impossível de aceitar”. Segundo o relatório, observadores internacionais não levantaram dúvidas sobre a apuração, e o principal argumento de Flávio Bolsonaro para contestar a derrota não se sustenta nos dados do TSE.

Embaixada rebate tese sobre horário estendido

O documento descreve uma eleição com falhas pontuais de logística, mas que transcorreu, na maior parte, de forma pacífica. A ampliação do horário de votação, autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, após dificuldades de transporte público e de acesso às seções eleitorais no Nordeste e no Sul, tornou-se a principal bandeira de Flávio Bolsonaro para questionar o resultado.

Os números do próprio TSE, porém, enfraquecem essa linha. Apenas 34 mil votos foram registrados após as 17h, o equivalente a 0,03% do total. Para a representação diplomática, o volume é irrelevante diante de uma diferença de 4,4 milhões de votos entre os dois candidatos.

A missão da OEA, de acordo com o relatório, afirmou não ter “nenhuma dúvida sobre os resultados”. Observadores internacionais consideraram mal administrada a extensão do horário, mas avaliaram o pleito como um todo como organizado. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, também sustentou que a medida não teve influência significativa no resultado.

Trump questiona eleição e Flávio promete contestar

A leitura da Embaixada contrasta com a postura de Donald Trump, que tem questionado o processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas de irregularidades. Na quinta-feira (29), Trump voltou a chamar a eleição de “vergonha” e de “constrangimento”, mas afirmou que pretende conversar com Lula.

Do lado brasileiro, o relatório anota que Flávio Bolsonaro reprovou a determinação do STF que prolongou a votação e prometeu levar a disputa adiante, ao classificar o resultado como “impossível de aceitar”. A iniciativa, porém, encontra resistência dentro do próprio grupo político.

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Integrantes do PL demonstraram, em caráter reservado, receio de que o movimento provocasse uma crise política e desgastasse o partido. O temor se apoia na diferença decisiva de votos e na falta de fundamento jurídico para a contestação.

107 países já reconhecem a reeleição de Lula

O reconhecimento internacional da reeleição de Lula já alcança 107 países e 11 organismos e blocos multilaterais, segundo levantamento divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quinta-feira (29). O total inclui manifestações de chefes de Estado e de governo de linhas ideológicas distintas.

Entre os 107 países que já se manifestaram, aparecem nomes como Emmanuel Macron, da França; Pedro Sánchez, da Espanha; Narendra Modi, da Índia; Claudia Sheinbaum, do México; e Vladimir Putin, da Rússia. Lideranças da direita e da extrema direita também cumprimentaram o presidente brasileiro, caso de Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália; José Antonio Kast, presidente do Chile; Keiko Fujimori, presidente do Peru; e Daniel Noboa, presidente do Equador.

Até Nayib Bukele, presidente de El Salvador e referência de Flávio Bolsonaro na área de segurança pública, enviou uma carta parabenizando Lula pela vitória. Por outro lado, Donald Trump e Javier Milei ainda não haviam felicitado o presidente brasileiro pela reeleição.

Ainda não está definido se o governo dos Estados Unidos enviará uma mensagem formal de congratulações a Lula, questão que segue pendente de apuração. O que já aparece no relatório da Embaixada é que as contestações sem base factual perdem espaço a cada avaliação institucional que confirma a vitória do petista.

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