Banco Mundial: dívida externa de países em desenvolvimento sobe 5,5% e bate recorde de US$ 9,4 tri

Países mais pobres pagam em média 8,2% de juros a credores privados, a maior taxa desde 1989, e o Banco Mundial vê risco para investimentos em saúde.

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O aumento da dívida externa foi o maior desde 2021, período logo após a pandemia, e ameaça comprometer investimentos essenciais em saúde, educação, infraestrutura e geração de empregos | Foto: Reprodução/Forbes Brasil
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Os países de baixa e média renda estão tomando mais empréstimos e pagando juros mais caros. A dívida externa desse grupo subiu 5,5% em 2025, para um recorde de US$9,4 trilhões, informou o Banco Mundial na quinta-feira.

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A instituição, sediada em Washington, afirma que os empréstimos pelos mercados internacionais de títulos continuaram em 2026. Para o banco, isso levanta dúvidas sobre a sustentabilidade dos termos e sobre o destino do dinheiro captado.

Juros sobem para os países mais pobres

O acesso ao financiamento internacional melhorou, mas os países em desenvolvimento mais pobres pagam, em média, 8,2% de juros sobre novos compromissos com credores privados. É a taxa mais alta desde 1989. Nos novos títulos, o custo chega a 9,4%.

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Já os países que não se qualificam para empréstimos com juros baixos ou zero na Associação Internacional de Desenvolvimento (AID) pagam, em média, 5,5% sobre novos títulos. A taxa caiu em relação aos 5,8% registrados em 2024, informou o banco.

Autoridades do Banco Mundial e de outras instituições financeiras internacionais vêm alertando, nos últimos meses, para os altos níveis de endividamento e para o efeito das taxas mais elevadas sobre os países em desenvolvimento.

Dívida externa tem maior alta desde 2021

O salto de 2025 foi o maior aumento anual desde 2021, logo após a pandemia da Covid. Para o Banco Mundial, esse avanço ameaça investimentos essenciais em educação, infraestrutura, saúde e empregos.

Os empréstimos de países em desenvolvimento a credores privados e as emissões de títulos por entidades públicas subiram quase 35%, para US$251 bilhões. É o nível mais alto em cinco anos. Já a dívida externa dos países elegíveis à AID cresceu 8,1%, para US$1,3 trilhão em 2025.

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“O retorno dos empréstimos privados aos países de baixa e média renda é bem-vindo, mas esses países estão tomando mais empréstimos, pagando mais e, em muitos casos, destinando menos recursos para o desenvolvimento de longo prazo”, disse Haishan Fu, estatístico-chefe do Banco Mundial. “Gerenciar a dívida de forma responsável significa dar a todos — incluindo as futuras gerações — a chance de prosperar.”

Pagamentos batem recorde e dólar pesa na conta

Os países de baixa e média renda pagaram US$1,4 trilhão em principal e juros em 2025, o quinto aumento anual consecutivo. Os pagamentos a credores privados subiram 13,7%, para US$363 bilhões, de acordo com o relatório.

Entre 2022 e 2025, os países em desenvolvimento pagaram US$436 bilhões a mais em serviço da dívida do que receberam em novos financiamentos. Em 2025, porém, o cenário mudou, com um influxo líquido de US$45 bilhões.

A desvalorização do dólar também pesou. Ela elevou o valor em dólares das dívidas denominadas em outras moedas e respondeu por mais de 28% do aumento da dívida dos países em desenvolvimento. Vários dos maiores tomadores de linhas de crédito com juros reduzidos fecharam 2025 com saldos mais altos.

Governos refinanciam dívidas e riscos seguem no radar

Muitos governos emitiram novos títulos para recomprar dívidas que venciam. Com isso, estenderam os prazos de pagamento, muitas vezes a juros mais altos, sem reduzir de forma significativa o saldo devido.

A demanda segue forte neste ano, apesar do custo elevado. Até meados de agosto, mais de 10 países já tinham ultrapassado a meta de emissões para todo o ano de 2025, e vários outros voltaram aos mercados internacionais.

O relatório alerta que o serviço mais caro da dívida pode reduzir o investimento e aumentar a vulnerabilidade a choques. O banco também defende mais transparência nos acordos, padrões mais fortes e o preenchimento de lacunas de dados, já que novos credores, instrumentos e garantias dificultam enxergar a exposição total de cada país.

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