Trump mencionou Biden quase 900 vezes em 2026, diz levantamento
Levantamento da Reuters aponta que Trump citou Biden 890 vezes em discursos e posts na Truth Social neste ano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou o nome de Joe Biden quase 900 vezes apenas neste ano. É o que mostra um levantamento da agência de notícias Reuters, que acompanhou a estratégia do republicano de manter o antecessor no centro do debate político a menos de seis semanas das Eleições de Meio de Mandato, marcadas para 3 de novembro.
Trump, de 80 anos, tem usado Biden como principal alvo político. Em média, cita o democrata três vezes por dia — seja em discursos, entrevistas ou postagens na Truth Social. A tática, segundo analistas, busca desviar a atenção de problemas da atual gestão, como a guerra com o Irã e a inflação alta.
Números da estratégia de Trump
De acordo com a Reuters, desde 1º de janeiro Trump citou Biden nominalmente pelo menos 890 vezes. Foram cerca de 190 postagens na Truth Social e quase 200 eventos e entrevistas em que o nome do ex – presidente apareceu. Em um único dia, durante a convenção republicana na Turquia, em julho, Trump bateu o recorde de 16 menções.
Os temas mais recorrentes foram economia (210 menções), imigração (168) e política externa e segurança nacional (138). O presidente também culpou Biden por escassez de munições, custos de moradia e pela situação da indústria siderúrgica. As críticas apareceram em ocasiões tão distintas quanto o Café da Manhã Nacional de Oração e a Caça aos Ovos de Páscoa no gramado sul da Casa Branca.
“Joe Biden é o pior presidente da história americana, e o presidente Trump tem passado todos os dias consertando a bagunça deixada por ele”, afirmou Olivia Wales, porta – voz da Casa Branca, em defesa das constantes referências ao antecessor.
Reações e críticas à “obsessão”
Enquanto a Casa Branca defende a postura, ex – integrantes do governo Biden veem exagero. Meghan Hays, que foi autoridade de alto escalão na gestão democrata, classificou a situação como “obsessão”. “Novecentas menções em menos de um ano não é governar.
Joe Biden o derrotou uma vez, e Trump ainda não superou isso”, disse ela, lembrando a vitória de Biden em 2020, que Trump alega sem provas ter sido fraudada.
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O estrategista republicano Ryan Williams avalia que a estratégia tem um propósito claro. “Donald Trump sempre precisa de um contraponto, e é melhor ter uma pessoa só do que um partido inteiro. Ele pode usar isso para tentar desviar a atenção de quaisquer problemas que esteja enfrentando atualmente”, afirmou.
Já TJ. Ducklo, porta – voz de Biden, recusou – se a comentar o levantamento.
Economia e imigração como principais alvos
Na economia, Trump mudou o discurso. Em fevereiro, ele dizia que o bom momento era mérito seu. Agora, com pesquisas apontando insatisfação popular com a gestão econômica, o republicano atribui a Biden a culpa pelo custo de vida elevado. “Espero que todos percebam que os aumentos de preços foram causados pelo ‘Biden Sonolento’”, escreveu Trump na Truth Social na semana passada.
Na imigração, Trump tenta transferir a responsabilidade por sua própria política. Após agentes federais matarem dois cidadãos americanos durante um protesto em Minnesota, em janeiro, ele culpou as “políticas de fronteiras abertas de Biden”.
O presidente chegou a admitir que assessores tentam fazê – lo mudar de assunto. “Até os redatores dos meus discursos dizem: ‘Senhor, ninguém quer mais ouvir falar da fronteira’”, relatou Trump no Salão Oval, em agosto.
O veterano estrategista republicano Charlie Black, que já criticou Trump, vê a tática com ressalvas. “A política trata sempre do futuro e nunca do passado. Culpar o antecessor não funciona, especialmente para quem está no cargo. Ele precisa defender seu próprio histórico para ajudar seu partido”, disse.