Republicanos perdem em cinco estados que Trump venceu em 2024 e cobram explicações

Don Bacon aponta preços, tarifas e desgaste com aliados, enquanto JD Vance e Trump relacionam o resultado à guerra contra o Irã.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: AFP

O Partido Republicano iniciou uma análise das causas da derrota nas eleições de meio de mandato da última terça-feira (3), e lideranças da legenda passaram a criticar Donald Trump. “Trump estava nas urnas esta noite”, disse o deputado republicano Don Bacon após a divulgação dos resultados.

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Os democratas venceram em Geórgia, Texas, Kansas, Iowa e Carolina do Sul, estados em que Trump havia conquistado vitórias expressivas na eleição presidencial de 2024. O vice-presidente JD Vance atribuiu o resultado à guerra contra o Irã, e Trump afirmou que a avaliação era “em grande parte verdade”.

Don Bacon critica preços, tarifas e relação com aliados

Crítico habitual do presidente, Don Bacon, representante de Nebraska que não concorreu à reeleição, afirmou que Trump tinha “um índice de aprovação de 35%”. Para o deputado, os eleitores rejeitaram “os preços dos combustíveis, o caos, as tarifas, a maneira como os aliados foram maltratados e os abraços com Putin”.

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Bacon também criticou a equipe presidencial: “ninguém na Casa Branca está disposto a dizer a verdade ao presidente”.

As eleições de meio de mandato costumam servir como termômetro da aprovação do ocupante da Casa Branca. Desta vez, a derrota republicana atingiu estados que haviam apoiado Trump em 2024.

Guerra no Irã pesa na avaliação dos republicanos

Em publicação na rede social X na quarta-feira (4), JD Vance afirmou que “a guerra é a razão da nossa derrota” e que o motivo era “óbvio para praticamente todo mundo”. Trump disse depois que a avaliação do vice era “em grande parte verdade”.

O conflito contra o Irã, iniciado em fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel, enfrenta forte rejeição nas pesquisas de opinião. A alta nos combustíveis também agravou o custo de vida da população americana.

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O senador republicano John Curtis, de Utah, disse que os americanos esperavam uma economia melhor depois do governo de Joe Biden. “Em vez disso, receberam uma guerra conduzida às pressas, manchetes e mais manchetes de escândalos, uma dívida que cresce até chegar a US$ 40 trilhões e tarifas imprevisíveis”, afirmou.

Curtis defendeu o resgate de valores conservadores tradicionais, que, segundo ele, foram “abandonados ao longo da última década”. Já uma fonte do governo ouvida pela AFP sob condição de anonimato atribuiu parte do resultado ao perfil dos candidatos. “A qualidade dos candidatos importa, e o presidente Trump fez um trabalho melhor promovendo os candidatos na votação do que os próprios candidatos”, disse.

Jovens e latinos se afastam dos republicanos

As estimativas apontam perda de apoio entre jovens e latinos, grupos que foram importantes para a volta de Trump ao poder em 2024. “Vimos muitos eleitores jovens, especialmente homens jovens, deixarem o Partido Republicano e votarem no Partido Democrata”, afirmou Todd Belt, cientista político da Universidade George Washington.

Segundo estimativas do jornal The New York Times, a mudança entre os jovens supera 30 pontos percentuais em comparação com a eleição presidencial anterior. O voto latino, que havia atingido um pico histórico de apoio aos republicanos há dois anos, também recuou cerca de 30 pontos.

Vanessa Cárdenas, diretora-executiva da organização pró-imigrantes America’s Voice, ressaltou a participação “recorde” dos latinos. “Durante dois anos, eles tiveram um alvo nas costas, independentemente de sua situação de cidadania, simplesmente por causa de sua aparência ou do idioma que falam”, disse, em referência às operações da polícia de imigração (ICE) durante o governo atual.

Para Todd Belt, os americanos votaram “contra Donald Trump, contra os preços altos, contra a guerra no Irã e contra os erros cometidos por este governo”. Na avaliação do especialista, os democratas precisam agora apresentar motivos para que os eleitores votem “a favor”, e não apenas “contra”.

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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