Solidão e isolamento social aumentam risco de doenças cardíacas, alerta cardiologista

OMS já trata solidão como questão de saúde pública, e cardiologista defende avaliação de vínculos afetivos na prevenção.

19/09/2026 03:44

3 min

Críticos têm apontado que alguns “influenciadores da solidão” nas redes sociais estão incentivando o isolamento
Críticos têm apontado que alguns “influenciadores da solidão” na...

O coração não depende apenas de artérias desobstruídas, colesterol controlado ou exames em dia. Uma dimensão menos óbvia, mas cada vez mais estudada, começa a ganhar espaço nas discussões sobre prevenção cardiovascular: a qualidade dos vínculos afetivos e sociais.

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A solidão e o isolamento social, embora distintos, vêm sendo associados a impactos concretos na saúde do coração — e a Organização Mundial da Saúde já trata o tema como uma questão de saúde pública.

O cardiologista Carlos Alberto Pastore, livre – docente pela FMUSP e membro da Brazil Health, alerta que os dois fenômenos não são sinônimos. O isolamento social é uma condição objetiva, medida pela quantidade e frequência dos contatos. Já a solidão é subjetiva: a percepção de que os laços existentes não atendem às necessidades emocionais da pessoa.

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Uma pessoa pode morar sozinha e não se sentir solitária; outra pode estar rodeada de colegas e familiares e ainda experimentar um vazio profundo.

Prevenção que vai além da pressão e do colesterol

Na prática clínica, perguntar com quem o paciente pode contar e se tem relações significativas pode revelar informações que a pressão arterial, os exames laboratoriais e o eletrocardiograma simplesmente não capturam. Pastore ressalta que isso não significa transformar amizade em prescrição médica ou dizer a alguém que “precisa socializar mais”.

A solidão pode estar enraizada em luto, depressão, dificuldades financeiras, doenças, limitações de mobilidade ou falta de espaços de convivência — circunstâncias que não se resolvem apenas pela força de vontade.

Reconhecer o problema, no entanto, é o primeiro passo. Em alguns casos, atividades comunitárias, grupos de apoio, exercícios coletivos e até retomada de relações antigas podem ajudar a reconstruir vínculos. Nada disso substitui o controle dos fatores clássicos de risco.

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Quem tem hipertensão precisa tratar a pressão; quem tem colesterol elevado precisa avaliar o risco e seguir a estratégia indicada. Tabagismo e sedentarismo continuam exigindo atenção direta.

OMS estima centenas de milhares de mortes prematuras

A Organização Mundial da Saúde passou a tratar a conexão social como uma questão de saúde pública. Estima – se que a solidão esteja associada a centenas de milhares de mortes prematuras todos os anos. Para Pastore, a saúde social deve ser entendida como uma dimensão adicional do cuidado, e não como substituta da prevenção cardiovascular tradicional.

“Talvez precisemos acrescentar uma pergunta às que já fazemos sobre pressão, colesterol, exercício, alimentação e cigarro: como estão os nossos vínculos?”, escreve o cardiologista. A conclusão é direta: o coração depende de artérias saudáveis, mas a saúde de quem o carrega também é construída pelas relações que mantém ao longo da vida.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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