Revolut vai investir mais de US$ 1 bilhão na América Latina para virar banco global

Com Brasil e México entre os cinco mercados que mais crescem, a Revolut espera que um em cada quatro novos clientes venha das Américas em 2027.

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Audi F1 Team Revolut GP Brasil 2026 | Foto: Divulgação/Audi Revolut F1® Team

A fintech britânica Revolut pretende investir mais de US$ 1 bilhão na América Latina nos próximos anos. A aposta faz parte do plano de se tornar um banco global, com a região e os Estados Unidos como motores da próxima fase de crescimento.

A companhia espera que, em 2027, um em cada quatro novos clientes venha do continente americano. Ela já soma 80 milhões de clientes e está presente em cerca de 40 mercados.

Brasil e México sustentam o otimismo da fintech

“Queremos que a América Latina seja verdadeiramente uma região estratégica”, disse Ignacio Zunzunegui, head de crescimento para as Américas da Revolut, em encontro com jornalistas na quinta-feira à noite, 5 de novembro, em São Paulo. “Sabemos que precisamos vencer na América Latina como parte dessa visão global”, complementou.

Os executivos vieram ao Brasil para acompanhar o Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, já que a Revolut é parceira principal da Audi F1 Team, que tem o brasileiro Gabriel Bortoleto entre seus pilotos. Segundo eles, o ritmo de aquisição de clientes na região deve ficar quase o dobro do registrado no ano anterior e quatro vezes acima do observado dois anos antes.

Brasil e México estão entre os cinco mercados que mais crescem na Revolut no mundo. “E, no próximo ano, esperamos que sejam os mercados de maior crescimento de toda a companhia”, disse Zunzunegui.

No México, operação iniciada em janeiro, a fintech chegou ao primeiro 1 milhão de clientes em cerca de oito meses. A empresa credita parte desse resultado à licença bancária completa, que permitiu oferecer um portfólio mais amplo desde o começo.

No Brasil, onde opera desde 2023, a Revolut trata o mercado como peça central, mas não divulga o número de clientes. “Hoje, o Brasil já é o maior mercado da nossa expansão, mesmo que ainda não possamos divulgar números específicos”, afirmou Glauber Mota, CEO da operação brasileira.

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A meta é dobrar, em 2027, o número de novos clientes conquistados no País em relação a 2026, com mais investimento em marketing, campanhas publicitárias e parcerias com embaixadores da marca.

Revolut não definiu divisão do US$ 1 bilhão

A verba será dividida entre Brasil, México e os três mercados que a companhia começa a operar, Colômbia, Peru e Argentina. A empresa não informou quanto caberá a cada país nem a produtos específicos.

Segundo Carlos Urrutia, head de expansão global da Revolut, o dinheiro vai financiar sobretudo a expansão geográfica, o desenvolvimento de produtos e o crescimento das operações. O compromisso abrange alguns anos, e não apenas 2027. Dependendo dos resultados, o valor pode aumentar.

“Esse US$ 1 bilhão é um investimento mínimo que estamos assumindo neste momento. Não é um teto. Conforme identificarmos oportunidades, poderemos acelerar os investimentos”, disse Urrutia.

Colômbia, Peru e Argentina em fases diferentes

Na Colômbia, a Revolut já obteve autorização bancária completa e está na fase final de testes internos antes de começar a operar.

No Peru, a companhia recebeu a primeira etapa da autorização regulatória, que permite constituir o banco. Ela ainda terá de passar por uma avaliação operacional antes de atender clientes.

Na Argentina, a fintech concluiu recentemente a transferência de controle de um banco inativo, que será renomeado Revolut Bank Argentina. A expectativa é iniciar as operações no segundo semestre de 2027. Segundo a empresa, a compra permitiu obter uma estrutura bancária sem integrar sistemas legados, migrar clientes ou absorver uma operação já existente.

“A Argentina foi uma oportunidade única. Não é sempre que se encontra um banco completamente inativo, sem tecnologia ou clientes para migrar e sem problemas legados”, afirmou Urrutia. O Chile aparece como próximo destino, mas ainda não há cronograma definido. “Acredito que seja mais uma questão de quando vamos entrar no Chile do que se vamos entrar”, disse Urrutia.

Revolut diz não temer Nubank e Mercado Pago

Mesmo recém-chegada à região, a Revolut não se intimida com bancos tradicionais e fintechs já consolidadas na América Latina, como Nubank e Mercado Pago. Para Urrutia, o crescimento dos bancos digitais ainda está apenas começando.

Na avaliação do executivo, a experiência acumulada em outros mercados, somada a uma estrutura operacional robusta e à disponibilidade de capital, permite sustentar os investimentos sem depender de resultados imediatos. Na quarta-feira, 4 de novembro, a companhia concluiu um novo processo de captação de recursos e chegou a um valuation de US$ 115 bilhões.

“Já não somos mais uma empresa jovem e frágil que pode ser derrubada facilmente”, afirmou Urrutia. “Conseguimos nos tornar relevantes em outros mercados por causa da nossa obsessão pelo crescimento. Não acreditamos que a América Latina será uma exceção.”

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