Polícia Federal divulga relatório final sobre queda de avião da Voepass que matou 62 em 2024

Quase dois anos após a tragédia com um avião da Voepass que resultou na morte de 62 pessoas, a Polícia Federal deve divulgar, nesta quinta-feira (6), o relatório final do Inquérito Policial que investigou o acidente. A apresentação ocorrerá em coletiva de imprensa marcada para as 14h na sede da PF em São Paulo, com a presença do superintendente regional da PF, do delegado responsável pela Delegacia de Campinas e do diretor do Instituto Nacional de Criminalística.
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O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024, quando a aeronave, que realizava o voo 2283 entre Cascavel, no Paraná, e Guarulhos, em São Paulo, caiu em um condomínio residencial em Vinhedo. O avião de prefixo PS – VPB era um ATR 72-500 com capacidade para 74 pessoas.
Das 62 vítimas fatais, 58 eram passageiros e quatro faziam parte da tripulação. Este foi o maior desastre da aviação comercial brasileira desde 2007.
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Contexto da investigação
A investigação conduzida pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) apontou que a queda foi resultado de uma sucessão de falhas da empresa, da tripulação e da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). De acordo com o relatório, a aeronave não deveria ter decolado nas condições em que foi liberada para o voo devido à inoperância do sistema responsável pela proteção contra acúmulo de gelo.
O tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, integrante da equipe investigativa, revelou que falhas no equipamento foram detectadas nos três voos anteriores à queda. Contudo, esses problemas não foram registrados nos diários de bordo conforme exige a legislação vigente.
O relatório indica que a empresa não tomou medidas adequadas para tratar essas ocorrências, normalizando desvios operacionais e diminuindo a percepção de risco entre os pilotos e gestores.
Além disso, ficou evidente uma cultura organizacional que favorecia a falta de registros formais e informalidade nos serviços auxiliares realizados por mecânicos sem supervisão adequada.
Reações e próximos passos
Em relação à Anac, o documento ressalta falhas na supervisão regulatória. Embora a agência tenha realizado ações fiscais antes do acidente, foram identificadas oportunidades para melhorar a vigilância sobre a segurança operacional. Algumas mudanças só foram implementadas após o desastre, como a ampliação da obrigatoriedade do Programa de Acompanhamento e Análise de Dados de Voo (PAADV) para todas as aeronaves ATR operadas sob o RBAC 121 e um reforço nas fiscalizações presenciais.
O Cenipa analisou um total de 1.206 voos realizados entre agosto de 2023 até o dia do acidente. O relatório final compila as conclusões da Força Aérea Brasileira sobre os fatores que contribuíram para essa tragédia aérea. Antes da divulgação oficial, ele passou pelos protocolos internacionais previstos para investigações desse tipo.
A Anac se manifestou em nota enviada à CNN Brasil afirmando que iniciará uma análise técnica detalhada das conclusões e recomendações apresentadas no relatório. “As investigações conduzidas pelo Cenipa têm caráter exclusivamente preventivo e visam identificar fatores que contribuíram para o acidente”, destacou a nota.
Atualização em 28/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.
Editoria:
Redação Brasil
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