Planalto quer manter o “Exército do Lula” após a eleição, e especialistas veem risco de patrulha

Canal criado por André Janones chegou a 10 milhões de seguidores no segundo turno e pode virar ferramenta de defesa de pautas do governo.

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PARCERIA DIGITAL - Janones e Lula: aliado político do presidente, parlamentar diz que confissão foi "circunstancial" | Foto: Reprodução/Veja

O Planalto pretende usar o “Exército do Lula” depois das eleições, e especialistas ouvidos por VEJA veem riscos para o governo. Na avaliação deles, o canal pode virar uma ferramenta importante para difundir e defender pautas estratégicas do Executivo, mas também existe a chance de o grupo se transformar em instrumento de patrulha contra opositores.

O movimento ganhou força depois de um apelo do próprio presidente Lula. Logo em seguida, o deputado federal André Janones (Rede), criador e coordenador do “Exército do Lula”, publicou uma postagem na mesma direção.

Mobilização contra as bets mostra força do grupo

Para Victor Piaia, professor da FGV e membro de grupos de estudo sobre sociologia, política e transformações digitais, a ação funcionou porque o tema é consenso na esquerda.

Piaia, porém, alerta que isso não será sempre assim. Ele prevê dificuldades para o governo repetir ações coordenadas quando surgirem divergências, já que o ambiente digital não favorece o diálogo entre os membros.

Missões chegam de cima e não há debate interno

De acordo com o professor, quem participa do “Exército do Lula” não pode interagir com os outros integrantes. As “missões” chegam de forma unilateral, seja por Janones, conhecido no canal como “general”, seja por Lula, tratado ali como “marechal”.

No auge do segundo turno, o grupo chegou a 10 milhões de seguidores. A mobilização digital impulsionou grandes manifestações em favor da candidatura petista e divulgou as realizações do governo, mas também espalhou mentiras e notícias falsas.

Onde termina a opinião e começa a patrulha

O plano agora é aproveitar a experiência eleitoral para criar correntes de apoio à agenda oficial, divulgar medidas do Planalto e, quando preciso, mobilizar ações de enfrentamento à oposição. É justamente nesse ponto que surgem as dúvidas, porque a fronteira entre patrulha e opinião é tênue.

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Pedro Bruzzi, sócio da consultoria Arquimedes e especialista em análise de mídias digitais, afirma que o tipo de orientação dada aos apoiadores vai definir se a linha foi ultrapassada. “O que vai determinar se essa linha foi ultrapassada é o tipo de orientação que será dada aos apoiadores, especialmente se ela incentivar ataques pessoais, intimidação ou tentativas de silenciar críticas”, ressalta.

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