Peronismo cria “Exército” inspirado em Lula e recebe Janones para aprender mobilização digital

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro nas eleições brasileiras ultrapassou as fronteiras e agita a oposição argentina. A movimentação ganhou a forma de um chamado “Exército do Peronismo”, inspirado na mobilização digital que contribuiu para a virada eleitoral no Brasil.
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O deputado federal André Janones (Rede-MG), apresentado como “general” do Exército de Lula, se reuniu com a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner e com o ex-ministro da Economia Sergio Massa. Durante o encontro, ele apresentou as estratégias de comunicação e mobilização digital usadas na campanha brasileira.
Janones afirmou que “30% da revolução digital aplicada na campanha eleitoral brasileira pode ser replicada em qualquer país do mundo”. No caso argentino, ele foi além e falou em “50% ou 60%”, por causa das semelhanças entre os dois países.
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Para Morgenfeld, derrota de Trump atinge a ultradireita
Em entrevista ao Opera Mundi, o historiador argentino Leandro Morgenfeld, professor da Universidade de Buenos Aires (UBA), avaliou que a vitória de Lula estimula a reorganização das forças populares na Argentina. Para ele, o resultado também é um revés para a ultradireita internacional, especialmente para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e para o secretário de Estado, Marco Rubio.
“Essa derrota no Brasil demonstra que é possível derrotar Trump na América Latina”, afirmou. Na visão dele, a principal lição da campanha de Lula está em articular as mobilizações de rua com a disputa nas plataformas digitais, terreno em que as ultradireitas ainda têm maior influência.
Morgenfeld também comentou as eleições parlamentares em Israel e as midterms nos Estados Unidos. Segundo ele, os dois pleitos apontam para possíveis mudanças na correlação de forças internacionais. Em Israel, lembrou, Benjamin Netanyahu foi o mais votado, mas não conseguiu formar maioria.
Derrota de Trump pesa sobre o governo Milei
No caso argentino, o historiador avalia que a derrota de Trump representa um golpe duro para o governo Milei, que enfrenta uma situação econômica comprometida. Ele também afirmou que o resultado reduz a capacidade de Washington de influenciar as eleições argentinas do ano que vem.
Morgenfeld disse ainda que o governo Milei apoiou a fuga escandalosa de Flávio Bolsonaro. Para ele, Milei passou a afastar votos, quando se imaginava que ajudava a ultradireita a vencer. “Era Trump quem fazia isso e, de certa forma, ele também afundou a candidatura Bolsonaro no Brasil”, declarou.
Por fim, o historiador avaliou que a derrota deixará o secretário do Tesouro, Scott Bessent, com menos possibilidades de influenciar as eleições argentinas, como tentaram fazer no Brasil para que Lula fosse derrotado.
Janones defende unidade e um programa para as classes populares
Segundo Morgenfeld, a visita de Janones teve peso porque apontou a necessidade de construir na Argentina uma experiência semelhante à brasileira, adaptada às características do país. Para ele, o recado é sobretudo a urgência de uma ampla unidade do campo nacional, popular, progressista e de esquerda para derrotar Milei.
O historiador contou que, à noite, Janones participou de um programa central de um canal de notícias de televisão, muito popular, em que explicou as estratégias digitais colocadas em prática e defendeu que parte dessas experiências fosse reproduzida na Argentina.
Antes disso, o deputado já havia se reunido com lideranças do peronismo.
Morgenfeld lembrou que o peronismo atravessa disputas internas fortes e tensas. Axel Kicillof, governador da província de Buenos Aires e o nome mais bem colocado nas pesquisas, foi ministro da Economia de Cristina Kirchner e chegou ao governo provincial por esse espaço político.
Hoje, ele trava uma disputa forte com setores do kirchnerismo.
Para o historiador, a unidade precisa ser ancorada em um programa ligado às necessidades das classes populares. Ele citou o fim da escala de trabalho 6 por 1 no Brasil e a proibição das apostas, um mercado que movimenta milhões de dólares e que, na Argentina, leva milhões de pessoas ao endividamento e à inadimplência.
Segundo ele, o tema precisa entrar nas agendas políticas, e a oposição não pode ficar apenas no debate sobre acabar com um governo fascista ou defender a democracia e a institucionalidade.
Editoria:
Redação Internacional
A Redação Internacional reúne a cobertura do Clique Fatos sobre os principais acontecimentos fora do Brasil. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



