Paes contesta no STF a vitória de Ruas, que passou de 49,27% a 50,88% sem os votos de Garotinho

Ação do PSD no STF, relatada por Zanin, questiona a retirada dos 274.411 votos anulados de Garotinho e pede segundo turno no Rio.

4 min

Eduardo Paes | Foto: Getty Images
Eduardo Paes | Foto: Getty Images

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD), derrotado na disputa pelo governo estadual, voltou a questionar o resultado do primeiro turno das eleições de 2026 e defende a realização de uma segunda votação no estado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na terça-feira, 3, Paes publicou um vídeo pedindo mobilização pelo segundo turno. Na quarta-feira, 4, divulgou outra gravação, em que apresentou denúncias contra o adversário e afirmou que materiais de propaganda teriam sido usados para confundir eleitores.

Retotalização após exclusão de Garotinho virou o centro da disputa

A discussão começou depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anulou os votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), cujo registro de candidatura foi indeferido. Ele teve 274.411 votos, o equivalente a 3,17% da votação.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em 8 de outubro, o TSE confirmou o indeferimento e decidiu, por maioria de 5 votos a 2, retirar esses votos do cálculo dos votos válidos. Antes disso, Ruas tinha 49,27% e Paes somava 42,76%. Sem os votos de Garotinho, Ruas chegou a 50,88%, o que bastou para vencer ainda no primeiro turno.

O PSD discorda da retirada desses votos da conta da maioria absoluta. O partido levou o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.362, relatada pelo ministro Cristiano Zanin.

No vídeo de 3 de novembro, Paes sustentou que nenhum candidato alcançou a maioria absoluta e que, por isso, os fluminenses precisariam voltar às urnas. “E essa não é uma ação sobre uma candidatura, um candidato ou outro. É preciso respeitar a vontade das urnas expressa no dia 4 de outubro. E o Rio escolheu ter segundo turno. O povo do Rio de Janeiro tem o direito de votar”, declarou.

Quais são as acusações contra a campanha de Ruas?

Na publicação de quarta-feira, 4, Paes disse que a campanha de Ruas distribuiu panfletos que induziram eleitores ao erro. Um dos conjuntos de material, segundo ele, trazia informações falsas sobre as posições do ex-prefeito em temas como aborto, drogas e valores cristãos.

Leia também

Paes afirmou que 100 mil exemplares foram produzidos em setembro. Outros 500 mil panfletos, segundo ele, foram impressos dois dias antes da votação, associando indevidamente seu nome ao número 13, usado pelo PT. O candidato do PSD concorreu com o número 55.

De acordo com o ex-prefeito, essas tiragens fariam parte de uma produção de 1,1 milhão de exemplares, feita na mesma gráfica e com o mesmo CNPJ da campanha de Ruas. Ele também disse que 204 mil eleitores digitaram o número 13 para governador, o que anulou o voto.

O segundo número mais registrado entre os votos inválidos, ainda conforme Paes, teve 16 mil votos.

Paes voltou a denunciar a circulação, no dia da votação, de santinhos com sua foto e o número 22, usado por Ruas. Ainda segundo ele, fiscais do TRE-RJ apreenderam materiais sem identificação da gráfica e sem CNPJ. A Justiça Eleitoral não decidiu sobre essas denúncias até o momento.

Ação no TRE-RJ pede cassação e inelegibilidade de Ruas e Fernanda Louback

A ação apresentada por Paes e sua coligação ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) pede a cassação dos registros, diplomas ou mandatos de Douglas Ruas e da vice, Fernanda Louback (PL). O texto também pede que os dois fiquem inelegíveis por oito anos.

Os autores apontam quatro conjuntos de fatos que, na visão deles, comprometeram a lisura da eleição. Entre eles estão a distribuição de panfletos com informações falsas, materiais que levariam o eleitor a digitar um número errado na urna e relatos de compra de votos em diferentes regiões do estado.

Suspeitas de abuso de poder econômico e desinformação eleitoral também fazem parte da denúncia.

A ação ainda solicita multa e a devolução de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha que, segundo os autores, foram usados na produção do material questionado. A CNN Brasil procurou Douglas Ruas para comentar as acusações, mas não obteve resposta até a publicação.

Duas frentes judiciais podem mudar o resultado

No STF, o PSD contesta a exclusão dos votos de Garotinho e pede um segundo turno. No TRE-RJ, a ação de Paes busca tirar a chapa de Ruas do cargo por supostas irregularidades na campanha.

A legislação eleitoral prevê que, em eleições para governador, o candidato só vence no primeiro turno se tiver mais da metade dos votos válidos. Se ninguém chegar a esse patamar, os dois primeiros colocados vão a uma nova votação.

Por enquanto, a retotalização feita pelo TSE mantém Ruas com 50,88% dos votos válidos e como governador eleito. Qualquer mudança nesse quadro depende das decisões da Justiça Eleitoral sobre os questionamentos apresentados.

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!