Padre Gallo empalhou 12 mil piranhas, exportou para a Europa e bancou obras no Brasil

Um padre jesuíta italiano que trocou a Europa pela Amazônia e bancou pontes, pistas de pouso e um museu vendendo piranhas empalhadas para a Itália. Essa é a história de Giovanni Gallo (, sacerdote, arqueólogo e fotógrafo que, a partir dos anos 1970, transformou a realidade da Ilha do Marajó (PA) com um projeto comunitário ousado.
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Nascido em Turim, em 27 de abril de 1927, Gallo ingressou na Companhia de Jesus e foi enviado para a Amazônia brasileira em 1970. Três anos depois, assumiu a paróquia de Santa Cruz do Arari e se estabeleceu na Vila de Jenipapo. Para ele, o desenvolvimento dos marajoaras passava pelo fortalecimento da cultura local.
Piranhas que viraram moeda de troca
Na vila, Gallo montou um laboratório comunitário e ensinou moradoras a embalsamar piranhas. Usando contatos que mantinha na Europa, o religioso organizou a exportação de cerca de 12 mil piranhas empalhadas para a Itália.
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A venda dos peixes artesanais pagava as trabalhadoras e ainda gerava recursos para a comunidade. Com o dinheiro, foram construídos 350 metros de pontes de madeira de lei, um posto médico, uma pista de pouso de 800 metros para aviões e um cemitério adaptado para o período das cheias na ilha.
Gallo também promoveu cursos de corte e costura, culinária e artesanato, além de viabilizar a estruturação de um centro comunitário.
Museu do Marajó e legado cultural
O dinheiro que sobrou da venda das piranhas serviu de capital inicial para a fundação do Museu do Marajó, criado oficialmente em 16 de dezembro de 1981 em Santa Cruz do Arari. O acervo foi montado com fragmentos arqueológicos e cerâmicas doados pelos próprios moradores.
No museu, depois transferido para Cachoeira do Arari, Gallo criou expografias interativas com objetos do cotidiano. Uma delas, apelidada de “computador caipira”, permitia que os visitantes manipulassem painéis, barbantes e manivelas.
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Naturalizado brasileiro, o religioso publicou livros como Marajó, a ditadura da água e O homem que implodiu. Viveu no Pará até morrer em Belém, em 7 de março de 2003. A trajetória de Gallo e as redes sociopolíticas que viabilizaram suas obras foram documentadas em artigo dos pesquisadores Karla de Oliveira e Luiz Carlos Borges, publicado na revista acadêmica Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



