Com Congresso dos EUA nas mãos dos democratas, Europa espera mudança em clima, comércio e conflitos

Os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos nas eleições legislativas de meio de mandato, e o resultado já provoca reações divididas entre líderes de outros países.
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Com o controle das duas Casas, o partido ganha ferramentas para fiscalizar o governo, questionar decisões da Casa Branca e travar partes da agenda do presidente. Na prática, a derrota representa um revés político para Trump justamente nos dois últimos anos de seu mandato.
Europa enxerga possível virada na relação com Washington
Na Europa, autoridades comemoraram o resultado e passaram a falar em possíveis mudanças da política americana em temas como meio ambiente, comércio e conflitos internacionais. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, leu a votação como um recado dos eleitores americanos contra as políticas de Trump.
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Em publicação na rede social X, ele disse que a eleição respondeu ao que chamou de medidas de empobrecimento da população, preconceito, sexismo e negação das mudanças climáticas.
Sánchez também fez uma ligação com outros países. “Aconteceu no Brasil. Acaba de acontecer nos Estados Unidos. E acontecerá em breve na Espanha”, escreveu.
Na Noruega, o primeiro-ministro Jonas Gahr Støre viu espaço para vozes mais alinhadas ao seu governo em clima, meio ambiente, política externa e ajuda ao desenvolvimento. “Agora estão surgindo vozes na política americana que estão mais próximas de nós do que o presidente e seu governo estiveram, por exemplo, em questões climáticas e ambientais, e também em política externa e política de ajuda ao desenvolvimento”, disse à Reuters.
No Parlamento Europeu, Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional, chamou a vitória democrata de “golpe devastador” para o presidente americano e de “grande vitória para a democracia”. Ele, porém, não acredita que um Trump mais fraco no Congresso fique mais previsível.
Para Lange, o presidente pode reagir com uma postura mais agressiva. Ele também avalia que mais força democrata deve facilitar o diálogo com a União Europeia, sem encerrar as divergências comerciais entre os dois blocos.
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, afirmou que a nova configuração em Washington pode inaugurar uma fase diferente nas relações internacionais.
No Irã, eleição é lida como rejeição à guerra
No Irã, a vitória democrata foi recebida como sinal de rejeição à guerra iniciada por Donald Trump contra o país. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que os eleitores americanos responderam “não à guerra” e que Teerã endossa essa mensagem.
Ele também alertou Washington para não ignorar a vontade popular e não retomar os ataques.
O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, seguiu outro caminho. Segundo ele, a mudança na composição do Congresso não deve ser vista como uma virada na postura americana em relação ao Irã, e esperar uma mudança profunda na política dos Estados Unidos por causa da eleição seria um erro.
Aliados de Trump reagem com cautela e críticas
Entre governos próximos de Trump, o tom foi de preocupação com a direção que a política americana pode tomar. O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, fez reparos à conduta dos democratas em relação a Moscou. Ao mesmo tempo, ele garantiu que o resultado não deve mudar o rumo da diplomacia russa.
“Nossa posição firme e consistente em relação à Ucrânia — assim como nossa política externa em geral — não se baseia em considerações de curto prazo e, naturalmente, não depende das oscilações do cenário político em outros países. Continuaremos nosso trabalho de acordo com as diretrizes do presidente da Federação Russa”, declarou.
Na Itália, Matteo Salvini, líder do partido de direita Liga e integrante da coalizão governista, adotou um tom mais moderado. Ele afirmou que o resultado precisa ser respeitado e ligou o desempenho eleitoral às tensões internacionais e ao custo de vida mais alto nos Estados Unidos. “A esperança é que essa votação possa representar uma aceleração rumo ao fim dos conflitos e ao retorno da paz”, disse.
Editoria:
Redação Internacional
A Redação Internacional reúne a cobertura do Clique Fatos sobre os principais acontecimentos fora do Brasil. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



