Netanyahu pode perder o cargo se oposição fechar acordo com partidos árabes, avalia Michel Gherman

As negociações entre os partidos de oposição e as legendas árabes de Israel podem definir a formação de um novo governo e o futuro político de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense. A avaliação é de Michel Gherman, coordenador do programa de Sociologia da UFRJ, em entrevista ao WW.
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Para o analista, o bloco que se opõe a Netanyahu está dividido. Ele reúne nomes com perfis diferentes, unidos sobretudo pela oposição ao atual governo.
Bennett e Lieberman rejeitam apoio árabe em público
Dois nomes se destacam nesse cenário: o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e o ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman, líder do partido Yisrael Beiteinu. Ambos já afirmaram publicamente que considerariam intolerável formar um governo com apoio, ainda que externo, de partidos árabes.
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Gherman, porém, vê uma diferença entre o discurso público e o que se negocia nos bastidores. Segundo ele, a posição real das legendas árabes que integram a lista unida, o partido comunista, o partido social-democrata e o partido nacionalista, não é a mesma.
Partidos árabes mostram postura mais pragmática
“Os partidos árabes são divididos”, afirmou Gherman. Para ele, dois desses partidos hoje apresentam uma configuração mais pragmática do que em qualquer outro momento da história.
O Partido Islâmico Raam também sinalizou essa abertura ao colocar na lista eleitoral um ex-comandante da polícia israelense, que é judeu, como candidato a deputado. O analista classificou a situação como inédita. “A gente tem uma situação muito nova”, disse ele, ao afirmar que dois dos partidos árabes podem atuar como apoiadores externos de uma coalizão de oposição.
Lieberman é o maior obstáculo, segundo o analista
Na avaliação de Gherman, o principal entrave dentro da oposição não é Bennett, e sim Lieberman. “Lieberman tem uma posição muito fechada em relação ao não apoio dos partidos árabes”, explicou o analista.
Por isso, Gherman aposta que Bennett e outros líderes oposicionistas tentam convencer Lieberman a aceitar algum tipo de apoio externo das legendas árabes.
Alternativas à coalizão atual são vistas como improváveis
Gherman considera pouco provável que Netanyahu deixe de lado a extrema direita, que deve somar entre 10 e 11 cadeiras no próximo parlamento, para incluir legendas de centro-direita e de esquerda em um novo governo. Já a convocação de novas eleições, na visão dele, “beira o absurdo”, porque o Likud, partido do atual primeiro-ministro, já perdeu entre 14 e 15 cadeiras em relação à eleição anterior.
“Eu posso garantir que as negociações, inclusive para a inclusão de partidos árabes nessa coalizão, estão acontecendo nesse momento”, concluiu. Ele lembrou que os árabes são cidadãos israelenses e representam uma parcela significativa da população do país.
Editoria:
Redação Internacional
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