Mesmo vendendo carne a Israel, Brasil gasta mais que o dobro em fertilizantes israelenses

O Brasil e Israel mantêm uma relação comercial de duas mãos: os brasileiros vendem carnes e recebem fertilizantes israelenses em volume considerável. A relação ganha peso na terça-feira (27), dia em que Israel vai às urnas pela primeira vez desde os ataques do Hamas, em outubro de 2023, e o início da guerra no Oriente Médio.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A eleição decide se o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu continua no comando do governo. Ele enfrenta rivais políticos em meio às críticas sobre a forma como conduz o conflito.
Carnes lideram as vendas do agronegócio para Israel
Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro para Israel somaram US$ 480,11 milhões, segundo o Agrostat, sistema de estatísticas do Ministério da Agricultura e Pecuária. As carnes responderam por US$ 238,82 milhões, cerca de 49,7% do total, com embarques de 38,11 mil toneladas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Na sequência vem o complexo soja, com US$ 91,73 milhões e 242,77 mil toneladas. O café somou US$ 59,68 milhões e 7 mil toneladas, enquanto os produtos florestais chegaram a US$ 40,58 milhões. Os oleaginosos, sem contar a soja, renderam US$ 15,1 milhões.
A pauta ainda inclui açúcar e outros itens do complexo sucroalcooleiro, bebidas, cacau e derivados, cereais, frutas, lácteos e outros produtos de origem animal e vegetal.
Fertilizantes lideram as compras brasileiras de Israel
No sentido inverso, os fertilizantes aparecem entre os principais produtos israelenses que abastecem o mercado brasileiro. Segundo o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), o Brasil importou US$ 499 milhões desses insumos em 2025, alta de 15,3% em relação ao ano anterior.
Esse valor é mais que o dobro do que o país vendeu em carnes para Israel. Em termos relativos, os US$ 238,82 milhões em carnes equivaleram a 47,9% do que o Brasil gastou com fertilizantes israelenses.
Os defensivos agrícolas também pesam nessa conta. As compras brasileiras desses produtos em Israel chegaram a US$ 101,8 milhões em 2025, avanço de 34,2% sobre 2024. Antes da guerra iniciada em 2023, o Brasil importava cerca de 1 milhão de toneladas de fertilizantes israelenses por ano.
Exportações já superam todo o ano de 2025
As vendas brasileiras do agronegócio a Israel oscilaram nos últimos anos. Em 2020, somaram US$ 353,6 milhões, menor valor da série. Em 2021, subiram para US$ 384,87 milhões e chegaram a um pico de US$ 727,43 milhões em 2022.
Depois disso, a série recuou para US$ 449,07 milhões em 2023 e US$ 442,87 milhões em 2024, voltando a subir para US$ 480,11 milhões em 2025. De janeiro a setembro de 2026, as exportações já alcançaram US$ 486,27 milhões, mais que o total de todo o ano anterior.
Do lado das importações agropecuárias, o Agrostat aponta que o Brasil comprou US$ 32,99 milhões de produtos israelenses em 2025. O complexo sucroalcooleiro respondeu por US$ 5,2 milhões, seguido por bebidas, com US$ 258,3 mil, e por cereais, farinhas e preparações, com US$ 158 mil.
Editoria:
Redação Economia
A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



