Ministro da Defesa terá reunião com os EUA sobre classificação de PCC e CV como terroristas

Governo quer evitar que facções brasileiras sejam enquadradas como organizações terroristas pelos EUA.

3 min

O ministro da Defesa, José Múcio | Foto: Reprodução

O ministro da Defesa brasileiro terá uma reunião bilateral com o subsecretário de Defesa dos Estados Unidos, Elbridge Colby, nesta quarta-feira, dia 8.

A conversa acontecerá no âmbito da Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA), sediada no Peru. O encontro ocorre em um momento delicado para Brasília, preocupada com os desdobramentos da designação, pelo governo americano, de facções criminosas brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, em vigor desde junho.

Diálogo na CMDA foca segurança regional

O fórum, realizado a cada dois anos, reúne autoridades militares e ministérios da Defesa dos países americanos para debater temas de segurança.

A conferência, criada originalmente em 1995, já se consolidou como uma das principais plataformas multilaterais dedicadas ao diálogo defensivo no continente. Os debates abrangem desde cooperação militar até combate a ameaças transnacionais e assistência humanitária comum à região do hemisfério.

Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, a reunião foi solicitada pelo governo brasileiro para tratar da classificação aplicada por Washington às facções brasileiras.

Preocupação com pressões externas sobre segurança

O Executivo avalia os riscos da equiparação de grupos criminosos brasileiros a organizações terroristas internacionais. Essa ação pode abrir precedentes perigosíssimos no cenário diplomático interno.

A preocupação é grande: a tal equivalência poderia gerar intensas pressões políticas em relação à soberania brasileira ou ser usada até mesmo por iniciativa unilateral dos Estados Unidos, justificando ações sem consenso regional adequado.

Leia também

Alinhamento estratégico antes do encontro internacional

Antes da viagem ao Peru, o ministro se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo desse alinhamento será definir qual posição deve ser apresentada durante os trabalhos junto ao representante estadunidense Colby.

Integrantes governamentais afirmam que há uma intenção de reforçar publicamente a necessidade constitucional de manter as questões internas sob controle estatal nacional em relação à segurança pública no Brasil. O presidente também orientou que fique claro que o enfrentamento do crime organizado é atribuição exclusiva das instituições brasileiras, sem interferências externas.

Objetivo: blindar soberania na defesa

A orientação presidencial visa destacar mecanismos próprios do país. O Ministro deverá enfatizar como Brasília possui sistemas robustos e desenvolvidos para investigação policial, inteligência estratégica e repressão ao delito transnacional.

Nos bastidores da preparação diplomática, auxiliares próximos a Lula apontam um objetivo estratégico maior: evitar qualquer sinalização ou interpretação de que possa legitimar uma ampliação excessiva tanto da influência quanto da atuação dos Estados Unidos sobre assuntos internos cruciais à segurança nacional brasileira neste momento histórico.

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.