Márcio Elias Rosa critica atuação bolsonarista no diálogo com os EUA
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, alertou nesta quinta-feira (2) que o Brasil continua sendo prejudicado pela atuação de bolsonaristas no cenário internacional em meio às negociações diplomáticas com os Estados Unidos.
Segundo ele, essa interferência ocorre justamente quando há esforços para evitar um suposto “tarifaço” imposto pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros. As declarações foram feitas durante uma coletiva na ocasião do 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, promovido por este ano pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), realizado no Rio de Janeiro.
Diálogo comercial entre Brasil e EUA
Rosa informou que o diálogo econômico bilateral segue ativo: foi a quarta reunião com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos. O ministro também antecipou que haverá um novo encontro já nas próximas semanas para avançar nos temas pendentes.
O prazo final estabelecido é 15 de julho para qualquer possível implementação do tarifaço anunciado pelos americanos. No entanto, ele criticou os “atropelos” provocados por terceiros, sem citar nomes, apontando uma articulação feita pela família do ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil e nos Estados Unidos.
“Eles não são capazes de causar algum alvoroço”, afirmou o titular do Mdic sobre a interferência política; contudo, segundo ele, essas ações acabam poluindo um debate que deveria ser estritamente econômico e comercial.
O impacto político nas negociações
Para Márcio Elias Rosa, trazer questões ideológicas para uma mesa focada em comércio bilateral é inadmissível. O ministro enfatizou: “Não cabe na mesa de negociação da economia, do comércio bilateral, questões ideológicas, eleitoreiras, pessoalmente oportunistas, isso não tem cabimento”.
Ele tratou o envolvimento dos bolsonaristas nos EUA como algo motivado por interesses puramente eleitorais e traição à pátria.
A fala fez referência a filhos do ex-presidente: Eduardo Bolsonaro, que teve o mandato de deputado federal cassado, e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.
O contexto legal da interferência
Rosa lembrou ainda da condenação anterior: foi mencionado detalhadamente o caso onde, segundo informações legais divulgadas pelo STF (primeira turma), ficou comprovada uma atuação para tentar influenciar um julgamento. O crime era coação e atingia as autoridades brasileiras após Jair Bolsonaro ser condenado por tentativa de golpe.
“Quem defende o multilateralismo, como é nosso papel no Brasil”, explicou Rosa; “tem que saber lutar contra barreiras que são impostas”. Ele reforçou a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de jamais abandonar os canais oficiais de negociação.
O pano de fundo das investigações americanas
Sobre o tema tarifário em si, foi lembrado um anúncio feito pelo governo dos Estados Unidos. Em 1º de junho deste ano, Washington concluiu a investigação comercial aberta contra o Brasil em 2025.
A apuração esteve sob responsabilidade do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O órgão considerou que políticas e práticas adotadas pelo Brasil seriam “irrazoáveis” e restringiriam ou onerariam empresas americanas.
“Os Estados Unidos continuam a manter negociações intensas com o Brasil em busca de uma solução para as preocupações americanas”, garantiu Jamieson Greer, representante comercial. Ele confirmou ainda um relatório definitivo previsto até 15 de julho, após consulta pública sobre temas como o Pix.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.
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