Mancha solar de 1947 tinha energia para superexplosão contra a Terra, mas não ocorreu

O Sol pode produzir, a cada cem anos, uma megaexplosão capaz de lançar ejeção de massa coronal que atinja a Terra. A conclusão é de um estudo publicado pela revista Philosophical Transactions A, baseado em dados do Solar Dynamics Observatory, da Nasa, coletados entre 2010 e 2016.
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De acordo com os pesquisadores, as erupções solares tendem a ocorrer em regiões onde os campos magnéticos da estrela ficam muito distorcidos. Quando esses campos se quebram e se religam, uma enorme quantidade de energia é liberada. Esses pontos são chamados de regiões ativas, e nelas podem surgir áreas brilhantes conhecidas como fitas de erupção.
O estudo constatou que, quanto maior a região ativa, maior pode ser a área das fitas e, consequentemente, a energia máxima liberada.
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Capacidade teórica e eventos históricos
Pesquisas anteriores já indicavam que megaerupções em estrelas semelhantes ao Sol podem ocorrer aproximadamente uma vez por século. No entanto, isso não significa que o Sol produza explosões nessa frequência. Um exemplo citado pelos cientistas é a Grande Mancha Solar de 1947, que tinha dimensão superior a 10³⁴ erg — o que a colocaria na escala de supererupção.
Apesar do potencial, ela não chegou a explodir.
O estudo, conduzido por pesquisadores do Max Planck Institute for Solar System Research, aponta que, ao menos em teoria, o Sol é capaz de criar regiões com capacidade de gerar erupções da mesma magnitude que estrelas semelhantes a ele. Mas isso não garante que uma explosão vá acontecer.
Casos semelhantes já ocorreram no passado. O mais famoso é o Evento de Carrington, em 1859. Na ocasião, as auroras boreais ficaram tão intensas que era possível ler à noite sem outra fonte de luz — o fenômeno foi visto até no Caribe. Por outro lado, a tempestade solar causou incêndios em postes e estações telegráficas.
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Segundo os novos cálculos, a região ativa associada ao evento de 1859 produziu uma erupção com energia máxima de cerca de 10³³ erg, valor próximo ao da mancha de 1947.
Riscos para o planeta
Os cálculos indicam que, se uma dessas explosões ocorrer em um momento em que esteja orientada para a Terra, pode atingir redes elétricas em grandes regiões do planeta. Os danos, nesse caso, podem levar meses para serem reparados. Apesar do alerta, os pesquisadores reforçam que se trata de uma possibilidade teórica — o Sol tem a capacidade, mas não há previsão de quando ou se isso realmente ocorrerá.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



