Lula prepara pacote de R 271 bilhões em ano eleitoral com crédito e subsídios

Medidas incluem isenção do IR, reajuste do Bolsa Família e subsídios para conter combustíveis em 2026.

19/09/2026 04:34

4 min

22.08.2026 — O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de campanha no Rio de Janeiro: o evento “Lula no Rio de Janeiro: O Brasil Pronto Pra Mais”, realizado no Estádio Moça Bonita, Rio de Janeiro – RJ. Foto: Ricardo Stuckert
22.08.2026 — O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silv...

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara um conjunto de medidas que devem injetar cerca de R 271 bilhões na economia em 2026, ano de sua tentativa de reeleição ao Palácio do Planalto. O levantamento, feito pelo CNN Money, reúne anúncios de linhas de crédito, reforços em programas existentes e subsídios.

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O governo defende que parte dessas ações é neutra do ponto de vista fiscal — ou seja, não deve gerar ganho nem perda de arrecadação. Um exemplo é a isenção do Imposto de Renda, que seria compensada com a criação de um imposto mínimo voltado aos super – ricos.

O impulso mais recente veio com o reajuste do Bolsa Família, que vai gerar um custo adicional de R 5,8 bilhões neste ano. Para bancar a conta, a equipe econômica afirma que fará um remanejamento dentro do próprio Orçamento, principalmente na área da previdência.

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Medidas para conter combustíveis e estimular setores

Desde março, o governo federal implementa uma série de ações para mitigar a alta dos combustíveis, provocada pelo conflito no Oriente Médio. O pacote inicial, válido até abril, foi substituído por novas medidas diante da continuidade da guerra no Irã.

A equipe econômica alega que os subsídios serão compensados com o aumento da arrecadação da União, especialmente com royalties e outras receitas do petróleo.

Entre os programas anunciados, o Plano Brasil Soberano 2.0 prevê R 15 bilhões para a indústria. Já o crédito para indústria 4.0 e bens de capital verde soma R 10 bilhões, voltados ao financiamento de novas tecnologias. O Moviagrícola libera cerca de R 10 bilhões em crédito para o setor.

Na área social, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R 5 mil e a isenção parcial para quem recebe até R 7.350 por mês representam R 31 bilhões.

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O programa MOV, em nova versão, injeta R 21,2 bilhões. Já o Novo Modelo de Crédito Imobiliário deve movimentar R 22,3 bilhões, reformulando regras do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo. O Desenrola 2.0, com R 8,2 bilhões, permite usar até 20% do saldo do FGTS para renegociar dívidas.

O Reforma Casa Brasil, estimado em R 13,9 bilhões pelo BTG Pactual, amplia o crédito para melhoria de moradias.

Impacto fiscal e projeções para 2027

A Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida deve injetar R 7,7 bilhões em 2026, após o aumento do limite de renda e do teto dos imóveis. O Luz do Povo, com R 4,3 bilhões, garante isenção total na conta de luz para famílias do Cad Único que consomem até 80 kWhmês.

O saque complementar do FGTS, de R 8,4 bilhões, beneficia trabalhadores demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025. O Gás do Povo, com R 5,1 bilhões, distribuirá botijões gratuitos para 15,5 milhões de famílias.

O programa Brasil Contra o Crime Organizado, de R 11 bilhões, foca em asfixia financeira, sistema prisional, esclarecimento de homicídios e combate ao tráfico de armas. O Brasil Soberano 3.0, com R 22,6 bilhões, destina linhas de crédito para empresas afetadas pelo tarifaço e pelo conflito no Oriente Médio, sendo R 13,5 bilhões do Tesouro e R 9,1 bilhões do BNDES.

As medidas para conter o diesel somam R 31 bilhões, incluindo subvenções e zeragem de impostos federais.

Especialistas consultados pelo CNN Money já avaliam a necessidade de um ajuste fiscal. O superávit de R 18 bilhões previsto para 2026 é questionado por Murilo Viana, especialista em Contas Públicas. “O governo espera uma grande arrecadação em 2027 com a CBS, mas isso está longe de ser claro.

O novo tributo é completamente novo, e o cenário de arrecadação ainda é extremamente volátil”, explica. O relatório da IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado, divulgado em 17 de julho, projeta um déficit primário efetivo de R 86,1 bilhões em 2027, e aponta a necessidade de um contingenciamento de R 35,7 bilhões para cumprir as regras fiscais.

Como o reajuste do Bolsa Família não estava previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, o governo terá que ajustar a proposta para acomodar a nova despesa.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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