Seca no Norte pode elevar em 150% o custo de contêiner para Manaus

Estudo aponta que estiagem pode reduzir capacidade de carga em até 55% e elevar despesas com armazenagem e atrasos.

18/09/2026 09:32

2 min

Seca no Amazonas afeta aldeias indígenas.
Seca no Amazonas afeta aldeias indígenas.

A seca na região Norte do Brasil, agravada pelo El Niño, pode encarecer em até 150% o custo do transporte de contêineres para Manaus. O alerta é de um estudo da AM Infra, braço da Alvarez & Marsal, encomendado pela Abac (Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem.

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O levantamento mostra que, com uma restrição de dois metros no calado dos navios, a capacidade de carga cai 35% e o custo unitário sobe 63%. Já em uma situação mais crítica, com redução de 3,2 metros, a capacidade de transporte despenca 55%.

O impacto na prática

Segundo o estudo, mesmo que os navios carreguem menos mercadorias por causa da baixa profundidade, grande parte dos custos da viagem continua a mesma. A estiagem ainda provoca atrasos, omissões de escalas e despesas extras com armazenagem.

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A expectativa se baseia no que já aconteceu em 2023 e 2024. Em outubro de 2023, a falta de profundidade chegou a impedir a passagem de embarcações por semanas. Naquele mês, a movimentação de contêineres em Manaus caiu 85% na comparação com agosto, que havia sido o pico do ano.

Em 2024, mesmo com o uso de píeres flutuantes em Itacoatiara para evitar uma nova paralisação total, o movimento recuou 55% em outubro e 41% em novembro, sempre em relação a julho.

Sobretaxa e alternativas logísticas

A consultoria alerta que Manaus tem poucas opções logísticas e fica “à mercê” das hidrovias. O estudo projeta que, em 2027, a situação pode se agravar ainda mais por causa do El Niño.

O material também analisa a chamada sobretaxa de seca, usada para cobrir os custos extras da operação em períodos de baixa navegabilidade e garantir a continuidade do serviço. Mecanismos parecidos já são adotados em rotas com restrições hídricas no Rio Reno, no Canadá e no Canal do Panamá.

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Para o diretor – executivo da Abac, Luis Resano, é preciso “atacar” a raiz do problema, e não só aplicar medidas paliativas. “Mesmo com a adoção de medidas paliativas para manter as operações, há aumento relevante dos custos e impactos sobre a competitividade”, afirmou Resano em nota ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Resano defendeu que a concessão das hidrovias pode ser um caminho importante para dar mais previsibilidade e eficiência às dragagens, evitando atrasos e intervenções fora do momento adequado. “Ele é fundamental para manter a operação sustentável”, completou.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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