PF aponta que BRB repassou R 12,2 bilhões ao Master com créditos sem comprovação

A operação teria contornado limites de exposição e sustentado a liquidez do Banco Master, apesar de alertas do Banco Central e ativos sem lastro comprovado.

11/09/2026 10:51

4 min

Fachada do BRB
Fachada do BRB

A investigação da PF (Polícia Federal) apontou que o BRB (Banco Regional de Brasília) repassou R 12,2 bilhões ao Banco Master entre janeiro e maio de 2025, após adquirir créditos supostamente fraudulentos ligados à empresa Tirreno. As informações aparecem em decisão sobre o caso determinada na noite de quinta – feira (9.

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De acordo com a corporação, a operação teria sido estruturada para “viabilizar e promover a liquidez” do Banco Master, que enfrentava uma crise. O banco teria simulado a compra de carteiras de crédito atribuídas à Tirreno, empresa sem histórico financeiro compatível com o volume negociado.

Como os repasses ao Banco Master foram feitos

O Banco Master revendia as carteiras ao BRB. Uma das operações teria alcançado R 6,7 bilhões, enquanto outra, apresentada como “prêmio”, somaria R 5,5 bilhões. Juntos, os negócios chegaram a R 12,2 bilhões.

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Para a PF, a aquisição equivalia a 30% de todos os bens do BRB. A concentração seria um “indício relevante de que a instituição pública buscou amparar o Banco Master em sua crise de liquidez.” A investigação, porém, não encontrou comprovação da existência dos créditos adquiridos.

A corporação avaliou que a intenção do BRB “sempre foi emprestar dinheiro ao Banco Master, mas não pôde fazê – lo diretamente em virtude de limitações de exposição”. Na prática, a troca dos créditos teria sido usada para contornar a fiscalização das operações.

A PF descreveu a substituição como uma operação feita “por pura camaradagem”, em desacordo com o contrato.

Também foram identificados casos em que “o comprovante de depósito não correspondia ao valor da CCB (Cédula de Crédito Bancário)”. Mesmo após três meses de fiscalização, as operações não puderam ser relacionadas a fluxos financeiros reais.

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Faltavam documentos, como autenticação em cartório, para confirmar a existência dos ativos.

Alertas e suspeitas sobre a Tirreno

O BRB teria mantido os negócios mesmo depois de receber um alerta do Banco Central. Segundo a investigação, a instituição só decidiu desfazer a operação depois de transferir os R 12,2 bilhões.

O documento afirma ainda que, mesmo sabendo que as transações eram monitoradas pelo Banco Central, o BRB continuou fazendo repasses bilionários ao Banco MASTER por meio de CCBs originadas por terceiros. Entre abril e maio de 2025, foram cedidas carteiras de CCBs que totalizaram 4,05 bilhões, com transferência do prêmio ao Banco Master.

O BRB comunicou que faria uma “substituição de créditos”, mas a PF entendeu que a medida contrariava o contrato. A cláusula não permitia esse tipo de movimentação. A investigação também questionou a devolução dos 6,7 bilhões que estavam em uma conta vinculada da TIRRENO no Banco MASTER: em vez de um repasse imediato, foram previstas parcelas mensais.

Para a PF, a Tirreno mantinha como “único relacionamento da Tirreno no âmbito do Sistema Financeiro Nacional” o vínculo com o Master. Não havia registro de crédito tomado pela empresa no Sistema de Informações de Créditos.

A corporação levantou a hipótese de que a Tirreno tenha servido como “blindagem para atuação criminosa da Sociedade de Crédito Direto Cartos”, apontada como a verdadeira originadora dos créditos cedidos ao Master. A investigação também mencionou que Tirreno e Cartos poderiam ser afiliadas ou ter controle comum, direto ou indireto.

O BRB afirmou que os créditos intermediados pela Tirreno foram celebrados por correspondentes bancários da Cartos. Havia um contrato que indicava a relação entre as empresas, mas o documento não tinha autenticação nem assinatura eletrônica.

A PF registrou contradições entre as informações prestadas pelas duas empresas. A Cartos negou que as averbações correspondessem às carteiras vendidas pela Tirreno ao Master e disse que elas se referiam a cessões feitas a fundos de investimentos creditórios.

A CNN Brasil informou que tenta contato com o BRB e não localizou as defesas da Cartos e da Tirreno. O espaço segue aberto para manifestação.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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