Lula anuncia R 5 bilhões em crédito para conter alta dos alimentos

Crédito subsidiado para pequenos e médios produtores terá juros de 4% a 6% ao ano a partir de fevereiro de 2026.

15/09/2026 00:25

4 min

Jônatas Faro é ex-galã da Globo
Jônatas Faro é ex-galã da Globo

O governo federal anunciou nesta quarta – feira (15) um pacote de medidas para conter a alta dos preços dos alimentos. A iniciativa, batizada de “Plano Safra Alimentos“, prevê a liberação de R 5 bilhões em crédito subsidiado para pequenos e médios produtores rurais.

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O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia no Palácio do Planalto.

De acordo com o governo, o objetivo é aumentar a oferta de itens da cesta básica, como arroz, feijão, leite e carne, que registraram alta de até 12% nos últimos três meses. O plano também inclui a redução de impostos federais sobre fertilizantes e defensivos agrícolas, além de um programa de incentivo à produção de hortaliças em áreas urbanas e periurbanas.

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Como funcionará o crédito subsidiado

O crédito de R 5 bilhões será operado pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal. Os produtores rurais enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) terão prioridade.

As taxas de juros para esses financiamentos variam entre 4% e 6% ao ano, bem abaixo das praticadas no mercado.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que a expectativa é de que os recursos estejam disponíveis a partir de fevereiro de 2026. “A ideia é que o produtor possa plantar ainda no primeiro semestre e que a colheita chegue ao mercado consumidor no segundo semestre, ajudando a equilibrar os preços”, disse Fávaro.

O governo também anunciou a criação de um comitê de monitoramento de preços, que se reunirá mensalmente para avaliar a eficácia das medidas e propor ajustes. O grupo será composto por representantes dos ministérios da Agricultura, da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário.

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Redução de impostos e incentivo à produção urbana

Outra medida do pacote é a redução das alíquotas do PISCofins sobre fertilizantes e defensivos agrícolas. A desoneração vale por 12 meses e, segundo estimativas do Ministério da Fazenda, deve representar uma renúncia fiscal de aproximadamente R 1,8 bilhão.

A pasta espera que a redução de custos seja repassada ao preço final dos alimentos.

O plano também prevê um programa de incentivo à produção de hortaliças em áreas urbanas, chamado “Horta em Casa”. A iniciativa vai distribuir kits de cultivo para famílias de baixa renda cadastradas no Cad Único. Cada kit contém sementes, adubo orgânico e um manual de cultivo.

A meta é alcançar 500 mil famílias em 2026.

A ministra do Desenvolvimento Agrário, Simone Tebet, destacou que o programa tem um duplo benefício. “Além de ajudar na segurança alimentar, a produção urbana gera renda e ocupação nas periferias”, afirmou. A estimativa do governo é que cada família possa produzir até 15 quilos de hortaliças por mês, reduzindo a dependência de alimentos industrializados.

Reações e críticas ao pacote

Entidades do setor agropecuário receberam o anúncio com cautela. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) disse, em nota, que as medidas são “positivas, mas insuficientes” para resolver o problema estrutural dos preços. A entidade defendeu a ampliação do crédito para todos os portes de produtores e a redução permanente da carga tributária sobre o setor.

Já a Central Única dos Trabalhadores (CUT) criticou o foco do plano. Para o sindicato, o governo deveria atuar diretamente no controle de preços dos alimentos, e não apenas na oferta. “Medidas de estímulo à produção são importantes, mas demoram a surtir efeito.

Enquanto isso, o trabalhador continua pagando caro no supermercado”, afirmou o presidente da CUT, Sérgio Nobre.

O governo, por sua vez, descartou qualquer intervenção direta nos preços. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, argumentou que o controle de preços é uma medida “ineficaz no longo prazo” e que a melhor saída é aumentar a competitividade e a produção. “Estamos atacando a causa do problema, não o sintoma”, disse Haddad.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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