Lula e Trump participam de Assembleia Geral da ONU com escada rolante revisada

Após o constrangimento de 2025, Guterres garante medidas extras para evitar nova falha no equipamento durante a Assembleia Geral da ONU.

Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa em Assembleia Geral da ONU

Após o constrangimento do ano passado, quando uma escada rolante quebrou com o presidente dos EUA a bordo, a ONU garante que desta vez o equipamento está funcionando. O secretário – geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou a repórteres em sua última coletiva antes da Assembleia Geral que medidas extras foram tomadas para evitar “interações negativas” com a escada.

O evento, que começa nesta semana em Nova York, reúne centenas de diplomatas e líderes mundiais.

Em 2025, Donald Trump acusou a organização de sabotagem após a escada rolante falhar enquanto ele se dirigia ao Salão da Assembleia Geral. Agora, Guterres busca evitar repeteco. “Posso dizer que tomamos medidas adicionais para garantir que quem circula por ali não tenha uma interação negativa com a escada”, disse o secretário – geral na quarta – feira (16.

Agenda cheia e reuniões de alto risco

A Assembleia Geral deste ano tem como tema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: Uma ONU que entrega para todos”. O encontro ocorre às vésperas da saída de Guterres do cargo, no fim do ano, e em meio a preocupações com modelos emergentes de inteligência artificial.

A alta concentração de autoridades transforma o local em palco para reuniões paralelas.

Trump deve se encontrar com líderes do Golfo na terça – feira (22) para discutir a próxima fase da guerra com o Irã, segundo dois funcionários americanos ouvidos pela CNN. Também está previsto um briefing “de alto nível” para o Conselho da Paz de Trump durante a semana.

O presidente americano já sugeriu que o conselho, criado para supervisionar a reconstrução de Gaza, poderia eventualmente substituir a ONU.

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A França, por sua vez, planeja convocar uma reunião de acompanhamento sobre a solução de dois Estados para o conflito israelense – palestino. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse que se reunirá com Trump em Nova York, após o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e Jared Kushner terem se encontrado separadamente com ele em Kyiv e com o presidente russo Vladimir Putin em Moscou.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que se reunirá com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Discursos e ausências de peso

Os discursos no púlpito da ONU costumam gerar expectativa. No ano passado, delegados deixaram o auditório durante a fala do primeiro – ministro israelense Benjamin Netanyahu. Em 2018, risadas interromperam Trump. Daniel Forti, chefe de assuntos da ONU no International Crisis Group, disse à CNN que a lista de oradores definirá o tom da assembleia. “Embora pareça que teremos mais de 130 chefes de Estado ou de governo presentes, na verdade será um quadro muito mais misto”, afirmou.

Uma grande incógnita é se o líder chinês Xi Jinping fará uma aparição surpresa. Xi deve ir a Washington para uma visita de Estado durante a Assembleia. Guterres disse que “gostaria de ter o presidente Xi Jinping conosco”, mas que se reuniu com ele “duas vezes no mês passado” e não está preocupado.

Netanyahu discursará na quinta – feira (24). A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, fará sua estreia na ONU no mesmo dia, enquanto Nicolás Maduro está preso no Brooklyn. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, deve discursar por vídeo, já que o governo Trump negou seu visto.

Despedidas e o futuro da ONU

A Assembleia marca despedidas notáveis: o francês Emmanuel Macron e o próprio Guterres farão suas últimas aparições. A corrida para substituir o secretário – geral está no centro das atenções. Uma pesquisa informal do Conselho de Segurança realizada na sexta – feira (18) aponta a ex – vice – presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan com vantagem estreita.

Os EUA ainda não apoiaram formalmente ninguém, mas um porta – voz do Departamento de Estado disse que os candidatos devem “se comprometer publicamente com as mudanças que exigimos”.

Guterres passou mais da metade de sua última coletiva falando sobre inteligência artificial. “A inteligência artificial certamente será um tema central nas minhas discussões com líderes mundiais na próxima semana”, afirmou. O Conselho de Segurança deve se reunir sobre IA na quarta – feira (23.

Apesar das críticas de que foi conservador em paz e segurança, Forti avalia que o legado de Guterres pode ser revisto. “Pode cair em ouvidos surdos”, disse o analista, “mas, a longo prazo, pode haver reflexões mais positivas.”

A ONU chega à Assembleia em situação financeira mais estável. O governo Trump enviou US827 milhões em cotas — uma fração dos US 4 bilhões devidos, mas um alívio para a organização que enfrentava um “colapso financeiro iminente” em janeiro.

Ainda assim, críticos questionam a relevância da instituição. Trump perguntou no ano passado: “Qual é o propósito das Nações Unidas?” Para Forti, a resposta é clara. “Neste momento dos assuntos mundiais, em que temos mais guerras do que nas décadas anteriores… todos ainda precisam de um lugar para se reunir”, disse. “E a ONU é a única organização com a legitimidade para enfrentar essas questões.”