La Caisse vê “efeitos catastróficos” em nova regra da ANP para gasoduto

A gestora canadense La Caisse alerta que insegurança regulatória pode desestimular novos investimentos no setor de gás natural.

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Eduardo Farhat, responsável pela operação da gestora canadense La Caisse (antiga CDPQ) na América Latina | Foto: Reprodução/CNN Brasil

Uma eventual mudança nas regras tarifárias do setor de gás natural pode comprometer futuros investimentos no Brasil, na avaliação da gestora canadense La Caisse, acionista de 50% da TAG. O executivo Eduardo Farhat, que comanda a operação da empresa na América Latina, classificou como “inovação regulatória” o dispositivo da Resolução ANP nº 991/2026 sobre a possível aplicação do Método de Capital Recuperado (RCM) sobre contratos legados de transportadoras como a TAG e a Nova Transportadora do Sudeste (NTS).

O RCM é uma metodologia que busca medir quanto do capital investido em gasodutos ainda não foi recuperado pelas empresas por meio das receitas recebidas ao longo dos contratos. A preocupação da gestora é que a ANP adote esse novo cálculo para definir a base de ativos da TAG na revisão tarifária do ciclo 2026-2030.

Inovação regulatória e previsibilidade

Em entrevista ao Alta Voltagem, Farhat afirmou que a estabilidade é essencial na regulação. “Os efeitos de inovação regulatória normalmente são catastróficos porque faz com que o futuro não seja mais previsível”, disse. Na visão dele, mudar a regulação de forma casuística ou em benefício de interesses particulares é prejudicial ao ambiente de negócios.

O executivo também destacou que o principal risco não se limita ao impacto sobre as receitas da TAG. A dúvida, segundo ele, é se a insegurança gerada por uma alteração nas premissas regulatórias – consideradas pelos investidores no momento da compra dos ativos – pode desestimular novos aportes no setor. “Será que essa insegurança não faz com que eu me pergunte se quero aumentar minha exposição a este mercado?”, questionou Farhat.

Resistência e apoio à medida

A proposta da ANP divide opiniões. De um lado, a Abrace, associação que representa grandes consumidores livres de energia, afirma que a diferença econômica entre a aplicação do RCM e a metodologia defendida pelas transportadoras pode chegar a R$ 1,3 bilhão por ano.

Já o Conselho de Usuários dos Serviços de Transporte de Gás Natural também manifestou apoio público ao processo. Em nota, o conselho afirmou que a revisão das tarifas de transporte decorre de um processo regulatório público, estruturado em fases técnicas e submetido a consultas nos termos da legislação e da regulamentação vigentes.

Atualização em 28/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.

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