Guerra no Irã provoca tensões na economia global e preocupa setores da zona do euro

A economia global enfrenta tensões devido à guerra no Irã
A economia mundial está passando por tensões cada vez mais evidentes, impulsionadas pelo choque energético causado pela guerra no Irã. As fábricas estão lidando com o aumento dos custos de produção, enquanto a atividade econômica se enfraquece, afetando até mesmo os setores de serviços, conforme revelaram pesquisas nesta quinta-feira (23).
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Apesar da resiliência demonstrada por grande parte da economia global diante da maior interrupção no fornecimento de energia dos tempos modernos, os efeitos indiretos do conflito, que já dura quase dois meses, começam a elevar a inflação e a gerar preocupações sobre o fornecimento de alimentos, além de rebaixar as estimativas de crescimento econômico.
Esta semana foi marcada por uma série de dados pessimistas sobre a confiança de empresários e consumidores, além de previsões cautelosas de grandes empresas listadas em bolsa. O índice de gerentes de compras da S&P Global (PMI), divulgado nesta quinta-feira, indicou que o pior ainda está por vir.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Os 21 países da zona do euro foram identificados como os mais afetados, com a leitura preliminar do índice principal da região caindo de 50,7 em março para 48,6 em abril, um número abaixo de 50 que sinaliza uma retração na atividade econômica.
Impacto na zona do euro e setores de serviços
O índice de preços de insumos na zona do euro subiu de 68,9 para 76,9, evidenciando o aumento nos custos de produção enfrentados pelas fábricas da região. O índice que abrange o setor de serviços, por sua vez, despencou de 50,2 para 47,4, bem abaixo da estimativa de 49,8 da pesquisa da Reuters.
Leia também
Chris Williamson, economista-chefe de negócios da S&P Global, comentou que a zona do euro está enfrentando problemas econômicos cada vez mais profundos devido ao conflito no Oriente Médio. Ele alertou que a escassez generalizada de suprimentos pode prejudicar ainda mais o crescimento e aumentar a pressão sobre os preços nas próximas semanas.
Curiosamente, os PMIs mostraram níveis mais altos de produção no Japão, Índia, Reino Unido e França. A S&P atribuiu esse fenômeno, em alguns casos, ao aumento da produção por parte das empresas, que se preocupam com possíveis interrupções na cadeia de suprimentos.
O Japão, por exemplo, registrou a maior expansão em sua produção fabril desde fevereiro de 2014, mesmo com os custos de insumos aumentando em sua taxa mais acentuada desde o início de 2023.
Setores com desempenho positivo e previsões futuras
As leituras do PMI coincidiram com declarações cautelosas sobre os lucros do primeiro trimestre, com empresas como o grupo francês de alimentos Danone e a fabricante de elevadores Otis Worldwide mencionando interrupções nos embarques devido à guerra.
No entanto, há exceções notáveis. O aumento global no investimento em inteligência artificial tem beneficiado o setor de tecnologia, enquanto a volatilidade nos mercados globais tem sido vantajosa para as empresas financeiras. A Coreia do Sul, por exemplo, registrou seu crescimento mais rápido em quase seis anos no último trimestre, impulsionado por um aumento nas exportações de chips.
O London Stock Exchange Group anunciou que espera um crescimento da receita anual no limite superior de sua previsão, após registrar uma receita recorde no primeiro trimestre, impulsionada pela atividade de negociação. Com a incerteza sobre como o conflito iniciado pelos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã terminará, o impacto futuro na economia global depende do tempo que o bloqueio à navegação pelo Estreito de Ormuz persistir.
Previsões do FMI e riscos futuros
Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou sua previsão de crescimento global para 3,1% neste ano, alertando que o mundo já caminha para um cenário mais adverso, incluindo a possibilidade de uma recessão total se as interrupções persistirem.
Jamie Thompson, chefe de cenários macro da Oxford Economics, destacou que sua análise dos impactos de choques energéticos anteriores, desde a Guerra do Yom Kippur na década de 1970 até a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, mostrou efeitos duradouros na inflação, investimentos e produção de energia anos depois.
Ele observou que uma em cada quatro empresas pesquisadas acredita que as interrupções serão sentidas após o final deste ano, ressaltando o risco de um ajuste abrupto na confiança econômica.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



