Grupo ICOM compra cinco clínicas odontológicas e mira 1.000 unidades próprias no Brasil

O Grupo ICOM, empresa de gestão, marketing e tecnologia para consultórios, começou a comprar clínicas odontológicas e já adquiriu cinco unidades no primeiro teste. A companhia quer chegar a mais de 1.000 clínicas próprias e aposta em inteligência artificial para automatizar gestão, atendimento e estoques.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
As clínicas do ecossistema do grupo movimentaram R$ 5,5 bilhões em vendas em 2025, segundo a empresa. Hoje a ICOM reúne mais de 14.500 consultórios no Brasil e em outros países, e a nova fase mexe com o modelo que a família construiu ao longo de mais de três décadas.
Compra de cinco clínicas marca o primeiro teste
A ideia de entrar no mercado de aquisições nasceu da própria carteira de clientes. Segundo Ricardo Novack, sócio-diretor do grupo, parte dos dentistas domina os procedimentos, mas tem dificuldade para administrar o consultório. Outros simplesmente querem vender a unidade.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
No teste, o grupo fechou a compra de cinco clínicas de uma só vez. A meta declarada é reunir mais de 1.000 unidades próprias nos próximos anos.
Novack diz que, ao começar a avaliar consultórios à venda, encontrou mais de 50 pessoas interessadas em se desfazer do negócio. “Tem muita clínica vendendo. E muitos profissionais que são muito bons, mas que faltam ser lapidados”, afirma. Ele também cita o cenário em que o Brasil tinha 441.600 cirurgiões-dentistas e cerca de 87.000 clínicas em junho de 2025, de acordo com números do Conselho Federal de Odontologia apresentados pela companhia.
O executivo e os quatro sócios já participam de seis clínicas, e cada uma faturou mais de 1 milhão de reais em setembro. A referência declarada é a americana Heartland Dental, que atua no apoio e na gestão de clínicas odontológicas nos Estados Unidos.
Dos cadastros de pacientes à rede de clínicas
A história começou em 1990, quando Roberto e Valéria, pais de Ricardo, fundaram a empresa para trabalhar com marketing de relacionamento. Uma das frentes era ajudar dentistas a manter contato com pacientes por correspondência, ainda nos primórdios do CRM.
Ricardo entrou cedo no negócio. Aos 14 anos, cadastrava pacientes e imprimia as cartas de aniversário. Aos 18, já acompanhava o pai em reuniões com clientes e, com o tempo, passou de observador a quem dava opiniões. Ele chegou a visitar clientes sozinho por volta dos 20 anos. “Eu comecei a visitar clientes igual meu pai fazia. Eu devia ter uns 20 anos. Era engraçado, pessoal achava que eu tinha 30”, lembra.
O modelo tinha um teto: cada clínica exigia uma reunião individual. Em 2014, a ICOM criou uma escola de gestão e marketing e passou a reunir grupos em salas de aula. “Porque antes fazia reunião com 1 clínica. Agora, no auditório, a gente colocava 20 pessoas”, diz Novack.
Ainda em agosto de 2014, os cursos foram para a internet. A primeira turma online reuniu quase 100 alunos, que pagavam valores semelhantes aos dos cursos presenciais. Em 2016, um evento presencial recebeu 600 participantes, e a expectativa para a edição de 2026 é reunir mais de 6.000 pessoas.
Quem começava com um curso podia depois contratar serviços de gestão e marketing e entrar em uma rede apoiada pelo grupo.
A virada mais forte veio entre o fim de 2019 e 2020, com a criação da Select, consultoria que ensina o dentista a tocar o consultório como uma empresa. O trabalho cobre receitas, despesas, contratação, marketing e a conversão de interessados em pacientes.
Segundo Novack, a Select já passou por mais de 5.000 clínicas.
Dessa operação saiu a Infinite, rede com mais de 700 clínicas e contratos de cinco anos. Diferentemente das franquias, os dentistas seguem donos dos próprios consultórios e mantêm suas marcas. Em troca de um pagamento fixo, recebem gestão, treinamento, tecnologia e acesso a fornecedores negociados pelo grupo.
A ICOM acompanha de perto os números de cada unidade, como faturamento, desempenho comercial, atendimento e conversão. “Hoje, sabemos a qualquer momento quanto a clínica faturou hoje, conversão. Eu consigo ouvir todas as ligações que foram feitas na clínica”, diz Novack.
A mesma lógica levou o grupo a receber, em um encontro na França, um reconhecimento da Straumann, fabricante de soluções odontológicas, pelo volume de implantes de sua rede. Segundo as comparações apresentadas pela companhia, esse volume equivale ao de todo o México e ao dobro do registrado em Portugal.
Para 2026, a meta é superar 650 mil implantes dentários.
Inteligência artificial deve automatizar até 80% da gestão
Para tocar uma rede desse tamanho, Novack quer tirar das mãos dos dentistas tarefas administrativas. O plano prevê um diretor operacional virtual, um sistema que acompanharia indicadores e apontaria problemas no dia a dia das clínicas.
Uma das frentes envolve câmeras e equipamentos capazes de registrar consultas. A inteligência artificial analisaria a conversa entre dentista e paciente para verificar se o atendimento seguiu o método ensinado pela ICOM e sugerir ajustes. Em outra frente, câmeras nos estoques identificariam produtos próximos do vencimento, prepararam cotações de reposição e apontariam diferenças entre o consumo registrado e os materiais disponíveis.
Na área financeira, a proposta é reunir despesas, vendas, margem de lucro e desempenho dos funcionários e transformar esses dados em recomendações para os gestores. Novack estima que será possível automatizar até 80% das atividades de gestão feitas hoje pelos dentistas. “O dentista, em especial para odontologia, que hoje precisa ser dentista e empresário, vai voltar a ser dentista”, afirma.
O plano ainda depende da implantação dessas ferramentas e da capacidade de fazê-las funcionar em unidades com estruturas diferentes. Ao comentar a trajetória, desde os cartões de aniversário até o acompanhamento de milhares de consultórios, Novack diz: “Antes eu me perguntava se um dia a gente chegaria lá. Hoje eu não duvido mais, porque fomos alcançando coisas que pareciam impossíveis. E isso é só o começo”.
Editoria:
Redação Economia
A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



