Gladson Cameli: STJ retoma julgamento por corrupção e lavagem de dinheiro

STJ marca para 15 de abril a retomada do julgamento do governador do Acre, Gladson Cameli, que renunciou para disputar o Senado

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Foto: Reprodução
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Julgamento do governador do Acre pela Corte Especial do STJ

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) agendou para 15 de abril a continuidade do julgamento do governador do Acre, Gladson Cameli (PP), que enfrenta acusações de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.

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O caso foi admitido na pauta da Corte Especial nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, após formalização da renúncia do governador, válida a partir de 2 de abril, para disputar uma vaga no Senado do estado. A vice-governadora Mailza Assis assumirá o cargo.

A análise da ação começou em 17 de dezembro de 2025, quando a relatora, ministra Nancy Andrighi, votou pela condenação, e o revisor, ministro João Otávio de Noronha, pediu vista (tempo adicional para análise). O julgamento será retomado com o voto do revisor.

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Discussão sobre a competência do julgamento

A Corte Especial deverá definir o destino do caso de Gladson Cameli, considerando sua candidatura ao Senado. A questão da competência é central, com argumentos sobre se o caso deve ser julgado pela Corte Especial, dada a natureza dos crimes apontados, ou se a eleição para o Senado o remeteria ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A jurisprudência recente sustenta ambas as possibilidades, gerando debate na próxima sessão da Corte Especial.

Acusações e defesa do governador

A denúncia aponta para um esquema de desvio de recursos públicos por meio de superfaturamento de serviços prestados por duas construtoras, contratadas sem licitação. A empresa Murano, ligada ao irmão do governador, era utilizada para corrupção e lavagem de dinheiro.

Gladson Cameli é acusado de coordenar o esquema, indicando pessoas de confiança para garantir a aprovação de obras e reformas, mesmo diante de irregularidades. A defesa do governador argumenta que o Supremo Tribunal Federal anulou parte da investigação contra ele, após considerar que as provas da Operação Ptolomeu foram obtidas de forma irregular.

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Controvérsias e recursos no processo

A ministra Nancy Andrighi votou pela condenação de Gladson Cameli, com pena de 25 anos e 9 meses de prisão e o pagamento de R$ 11,7 milhões. Ela também defendeu a perda imediata do cargo. A ministra destacou a ligação da empresa Murano com familiares do governador e a utilização de recursos pagos para a empresa para fins distintos do contratado.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou o envio dos autos da ação penal à defesa, após questionar a ausência de acesso à documentação pelos advogados do governador.

Críticas da defesa

A defesa do governador criticou o processo, alegando falta de acesso aos autos e questionando a legitimidade da investigação. Os advogados citaram um recurso apresentado em novembro de 2025, no STJ, e a utilização de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sem autorização do Superior Tribunal de Justiça.

O governador fez referência a esse recurso em 19 de novembro de 2025.

Denúncia da Procuradoria-Geral da República

A Procuradoria Geral da República (PGR) detalha o esquema de corrupção, envolvendo a adesão da Seinfra a uma ata de registro de preços vencida pela empresa Murano, com sede em Brasília. A licitação foi realizada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano, campus de Ceres (GO), para a prestação de serviços de manutenção predial.

A Murano ficou responsável por executar obras rodoviárias por meio de companhias subcontratadas, incluindo a Rio Negro Construções, que tem como sócio Gladson Cameli. A PGR afirma que aproximadamente 2/3 do valor pago corresponde a objeto totalmente estranho ao contratado, em claro desvirtuamento do princípio da isonomia.

O secretário de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano do Acre, Thiago Rodrigues Gonçalves Caetano, também foi denunciado.

Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.

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