FriGol amplia mercados e busca reduzir dependência da China nas exportações de carne bovina

FriGol busca diversificar mercados para carne bovina, mirando em países como EUA e Indonésia, após restrições nas exportações para a China.

25/08/2026 05:22

3 min

AAN.2.jfif (1)
AAN.2.jfif (1)

A Fri Gol está intensificando sua estratégia de diversificação de mercados com o objetivo de reduzir a dependência da China nas exportações de carne bovina e aumentar a participação de outros países na receita da empresa. O CEO da Fri Gol, Luciano Pascon, destacou que a companhia já vinha se preparando para novas frentes comerciais antes mesmo das medidas de salvaguarda impostas pela China às importações desse produto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Essa mudança se tornou ainda mais urgente com as restrições que começaram a valer.

Luciano afirmou que a empresa identificou uma necessidade de se adaptar ao novo cenário, buscando oportunidades em mercados como Estados Unidos, Canadá, Indonésia, Israel, Egito e Filipinas. “Já vínhamos trabalhando com isso. A gente entende que a China vai continuar sendo um grande mercado, o nosso principal mercado aí durante muitos anos”, disse o executivo em entrevista à CNN.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Impactos das restrições chinesas

A avaliação interna da Fri Gol indica que, embora a China mantenha um papel central nas operações da empresa, é crucial expandir para outros destinos para equilibrar suas atividades. Atualmente, a companhia possui um dos maiores parques industriais habilitados para produzir carne destinada ao mercado chinês.

As restrições no comércio com o país asiático tornaram evidente a urgência dessa diversificação.

Luciano Pascon ressaltou que a Fri Gol precisou adaptar sua abordagem diante das limitações nos volumes exportados e buscar alternativas para redirecionar parte da produção que costumava ser destinada à China.

Novas oportunidades no mercado indonésio

Outro movimento estratégico importante envolve o aumento do valor dos embarques para a Indonésia. Segundo Luciano, os compradores indonésios estão demandando produtos que anteriormente eram destinados à graxaria e usados na produção de farinha e sebo.

Leia também

Com essa nova demanda, a Fri Gol tem conseguido elevar os valores obtidos por partes do animal que antes tinham remuneração menor.

“Estamos ganhando muito valor com esses produtos da Indonésia, porque conseguimos comercializá – los por um preço bem acima do que vendíamos”, afirmou o executivo.

Possibilidades para miúdos na China

Hong Kong permanece como um destino tradicional para os miúdos exportados pelo Brasil; no entanto, Luciano vê uma oportunidade maior caso a China decida permitir a entrada direta desses produtos. Ele acredita que essa abertura poderia criar uma nova linha de negócios para os frigoríficos brasileiros, especialmente após o Brasil ser reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal.

“A gente vê também como um próximo desafio discutir com a China sobre a abertura do mercado de miúdos diretamente”, comentou Luciano. Para a Fri Gol, essa possibilidade poderia aumentar o valor agregado e melhorar o aproveitamento econômico das diferentes partes do animal.

Estratégia financeira e investimentos

A expansão internacional da Fri Gol também reflete em sua estrutura financeira. Luciano destacou que, em alguns períodos, mais de 50% da receita já é gerada em dólares. Em razão disso, a empresa está considerando novas linhas de crédito para equilibrar sua exposição entre dívidas em reais e dólares.

No início deste ano, a Fri Gol realizou uma nova emissão de CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e amortizou uma operação anterior. Segundo Pascon, essa transação melhorou as taxas e ampliou os prazos das dívidas enquanto reforçou o caixa da companhia.

A empresa também investiu mais de R 50 milhões neste ano na modernização de suas plantas, incluindo novos equipamentos e uma nova graxaria voltada ao processamento de subprodutos nas unidades localizadas em Água Boa do Norte e São Félix do Xingu, ambas em Mato Grosso.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!