Crédito rural para soja apresenta divergências em 17,4% das operações, aponta Serasa Experian

Divergências no crédito rural para soja levantam preocupações sobre possíveis desvios de finalidade, exigindo maior atenção das instituições financeiras.

25/08/2026 06:03

3 min

Plantação de soja em Espumoso (RS)
Plantação de soja em Espumoso (RS)

Um levantamento realizado pela datatech Serasa Experian revelou que 17,4% das operações de crédito rural analisadas na safra 2025/26 apresentaram divergências superiores a 10% entre a área financiada com recursos públicos e a área de soja realmente identificada.

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A empresa aponta que esses casos podem indicar um possível desvio de finalidade, embora não sejam, por si só, prova de irregularidade. Dentro desse grupo, 10,6% das operações mostraram discrepâncias entre 10% e 50%, enquanto 3,7% apresentaram diferenças entre 50% e 90%, e 3,1% variaram entre 90% e 100%.

As operações com indícios de desvio acima de 10% correspondem a aproximadamente 25% do total do volume financeiro analisado. Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, esclarece que os dados não comprovam irregularidades isoladamente.

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Eles servem como um alerta para que as instituições financeiras realizem uma verificação mais detalhada em documentos e contratos.

Análise das Divergências

A tecnologia utilizada no estudo permitiu transformar imagens de satélite em indicadores objetivos. Essa abordagem evita a necessidade de análise amostral, reduzindo custos com analistas para verificar toda a carteira de crédito. “A tecnologia ajuda a identificar onde estão as maiores divergências e permite que as instituições financeiras concentrem esforços nas operações que demandam maior atenção”, explica Pimenta.

Um exemplo notável foi identificado em uma operação onde nenhum dos 76,54 hectares financiados para cultivo teve a cultura correspondente; imagens mostraram outra plantação no local. Em outro caso, dos 37 hectares contratados para soja, apenas 10,42 hectares foram efetivamente cultivados com essa cultura, resultando em uma divergência alarmante de 71,8%.

Por outro lado, 82,6% das operações analisadas demonstraram aderência entre o financiamento e a cultura informada.

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Esse índice representa um avanço significativo em comparação à safra anterior (2022/23), quando a aderência era de apenas 76%. O novo percentual inclui ainda 66,7% das operações sem divergências detectadas e outras 15,9% com diferenças inferiores a 10%, consideradas pela Serasa como não necessariamente irregulares.

Monitoramento do Plantio

Além da análise financeira, o “Mapa da Soja” também avaliou o período do plantio na safra 2025/26 e as condições agroclimáticas das lavouras. A Serasa monitorou cerca de 1,53 milhão de talhões totalizando 46,9 milhões de hectares cultivados com soja.

O resultado mostrou que impressionantes 97,8% da área analisada foi plantada dentro dos períodos recomendados pelo ZARC (Zoneamento Agrícola de Risco Climático.

O ZARC é uma ferramenta governamental que orienta sobre onde e quando determinadas culturas devem ser plantadas para minimizar riscos climáticos. Essa informação é essencial para os bancos na avaliação do risco de perdas nas lavouras. Do total monitorado pela Serasa Experian, cerca de 84,9% da área estava classificada como risco agroclimático de até 20%, enquanto outros segmentos se enquadravam em faixas superiores.

A importância desse tipo de monitoramento se intensifica diante do atual cenário regulatório do crédito rural conforme as diretrizes da Resolução CMN nº 5.267/2025. O uso de tecnologias avançadas permite acompanhar as condições das áreas financiadas com mais eficiência.

Pimenta ressalta: “O ZARC traz uma dimensão complementar fundamental para entender não apenas se a soja foi plantada corretamente, mas também quando isso ocorreu e sob quais condições climáticas.” O estudo utilizou dados públicos do SICOR combinados com mapas proprietários e imagens dos satélites Sentinel-2 para confirmar a presença da soja nas áreas informadas nas operações de crédito.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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