Ações globais devem registrar maior queda semanal desde julho devido a tensões nos mercados

Mercados globais enfrentam incertezas com a maior queda semanal desde julho, impulsionada por tensões diplomáticas e aumento dos preços do petróleo.

21/08/2026 12:26

4 min

NYSE
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As bolsas de valores ao redor do mundo estavam prestes a registrar a maior queda semanal desde julho nesta sexta – feira (21). O clima de tensão nos mercados globais de títulos continua sem sinais de alívio, enquanto um impasse diplomático no Golfo levou os preços do petróleo a máximas mensais, aumentando os riscos inflacionários.

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Em meio a isso, os rendimentos dos títulos do governo dos EUA voltaram a subir após uma intervenção inesperada do Tesouro na quarta – feira (19), que proporcionou apenas um breve alívio às vendas motivadas por preocupações com inflação elevada e pressão fiscal.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, mencionou a possibilidade de recompra de títulos e a necessidade de consolidação fiscal. No entanto, analistas mostram ceticismo quanto à viabilidade de encontrar cortes de gastos suficientes para reduzir o déficit orçamentário, que supera 6% do PIB.

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Somente as despesas com juros devem atingir US 1,2 trilhão neste ano, enquanto a dívida nacional ultrapassa os US 40 trilhões.

Impactos no mercado financeiro

Esse cenário fez com que o dólar se aproximasse das mínimas em três meses, com uma queda acumulada de quase 1% na semana em relação às principais moedas. “A medida inicial (de recompra de títulos) foi notável e surpreendente, mas permanece a questão: ‘isso terá um impacto duradouro?’”, afirmou Christian Hantel, gestor de portfólio da Vontobel.

O rendimento dos títulos do Tesouro americano com vencimento em 30 anos estava em cerca de 5,25%, enquanto os títulos com vencimento em 10 anos atingiam 4,70%. Os mercados veem o patamar de 5,30% como um limite crucial para os títulos de 30 anos.

Taxas de juros mais altas elevam custos da dívida globalmente. Isso ocorre em um momento em que grandes empresas de tecnologia estão contraindo empréstimos significativos para investir em inteligência artificial, o que também pressiona as avaliações das ações.

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A tensão ficou evidente no Nikkei, que caiu 0,3%, acumulando perdas semanais próximas a 4%, o que representa sua maior queda desde julho. Na Europa, mesmo com ganhos iniciais modestos nos mercados acionários, o índice STOXX 600 se encaminhava para sua maior queda semanal desde início de julho.

Cenário internacional e commodities

No cenário internacional, Wall Street teve algum suporte graças a resultados corporativos positivos. Os futuros do SP 500 subiram 0,53%, enquanto os futuros do Nasdaq avançaram 0,8%. Contudo, o setor de IA enfrentará desafios na próxima semana com a divulgação dos resultados da Nvidia, especialmente em relação à demanda por infraestrutura e receita proveniente dos data centers.

No último dia 20, o Walmart mostrou como altas expectativas podem ser frustradas ao registrar uma queda nas ações devido a vendas abaixo do esperado.

Bessent também abordou as promessas do presidente Donald Trump sobre uma guerra econômica contra o Irã. Ele afirmou que os EUA imporão “as sanções mais duras da história”, diminuindo as esperanças por um acordo que permitiria maior fluxo pelo Estreito de Ormuz.

Como resultado dessas tensões geopolíticas, o petróleo Brent atingiu quase US 95 por barril antes da realização parcial dos lucros.

Movimentações no câmbio e commodities preciosas

No mercado cambial desta semana, o dólar apresentou perdas generalizadas amid preocupações sobre a crescente dívida dos EUA e incertezas políticas que corroem seu poder aquisitivo. Isso levou investidores a buscar ativos mais escassos como ouro, cujo preço subiu 1,45%, alcançando cerca de US 4.583 por onça — seu nível mais alto em quase três meses.

O índice do dólar caiu quase 0,9% na semana para alcançar 98,74 pontos após ter atingido mínimas recentes. O euro valorizou – se em 1% nesta semana para US 1,1686 e chegou perto das máximas das últimas semanas. Além disso, o dólar perdeu valor frente ao franco suíço pela maior taxa semanal desde janeiro.

Atrações alternativas: Bitcoin

A crescente preocupação com o endividamento dos EUA fez alguns investidores buscarem alternativas como o bitcoin. Esta criptomoeda atingiu sua maior cotação em mais de dois meses nesta sexta – feira (21), chegando a US 76.446 — uma valorização quase total de 20% na semana e seu melhor desempenho em dois anos e meio.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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