Fiemg alerta sobre novas tarifas dos EUA que podem prejudicar competitividade de produtos
A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) alerta que as novas tarifas em análise pelo governo dos Estados Unidos podem prejudicar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano. A entidade destaca que essa situação pode favorecer importadores a substituírem fornecedores nacionais por concorrentes internacionais.
Com o aumento das tarifas, os exportadores do Brasil enfrentam riscos como a perda de espaço no mercado, pressão para redução de preços e a necessidade de renegociar contratos comerciais. O estudo aponta que a combinação da tarifa de 25%, resultante da aplicação da lei da Seção 301, com uma taxa adicional de 12,5% — alegadamente devido a violações trabalhistas — pode resultar em uma cobrança total de até 37,5% sobre produtos afetados por ambas as medidas.
Preocupações com a competitividade
O USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) anunciou a decisão na quarta-feira (15): uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, em vigor a partir de 22 de julho. Verônica Ribeiro Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fiemg, ressalta que a preocupação vai além do valor das tarifas.
Ela aponta que a diferença no tratamento entre países concorrentes pode influenciar diretamente as decisões dos importadores e comprometer contratos em mercados considerados estratégicos.
Um levantamento do Centro Internacional de Negócios da Fiemg indica que matérias-primas, insumos agroindustriais, produtos de madeira e algumas categorias de bens industriais são os mais vulneráveis às novas tarifas.
O ferro-gusa brasileiro é um dos produtos mais expostos, já que pode ser atingido pelas duas medidas em discussão.
Nos Estados Unidos, o ferro-gusa nacional concorre não apenas com fornecedores locais, mas também com países como Ucrânia, Índia, Canadá, África do Sul e Indonésia. A análise aponta que esses concorrentes podem se beneficiar de tratamentos tarifários mais favoráveis.
Por exemplo, o ferro-gusa ucraniano poderia ter uma vantagem tarifária superior a 37 pontos percentuais em relação ao produto brasileiro.
Impactos nos setores afetados
Além do ferro-gusa, outros produtos, como sebo e itens de madeira, também estão na mira das novas tarifas. Os principais concorrentes desses produtos podem estar sujeitos a taxas menores do que as impostas ao Brasil, aumentando ainda mais sua competitividade no mercado americano.
Verônica enfatiza que o efeito das tarifas variará conforme a disponibilidade de fornecedores alternativos e o grau de diferenciação dos produtos. A relação comercial estabelecida entre exportadores brasileiros e importadores também desempenhará um papel importante nesse contexto.
Diante da decisão dos EUA, a Fiemg defende mais negociações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. A Federação pede ainda ampliação da lista de exceções e definição clara das regras para aplicação dessas tarifas.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.
Editoria:
Redação Economia
A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.