Díaz-Canel recebe jornalistas e fala sobre a resistência ao bloqueio

Presidente cubano diz que o país mantém abertas as portas ao diálogo com os EUA, mas sem negociar a soberania.

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O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato | Foto: Reprodução

Os corredores do Palácio da Revolução em Havana, capital de Cuba, estão vazios neste momento. O presidente Miguel Díaz-Canel recebeu jornalistas do Brasil de Fato logo após voltar de uma das caminhadas que fazem parte da rotina de sua gestão.

Nesses passeios pelos municípios e bairros cubanos ele mantém contato direto com os moradores para ouvir reivindicações, preocupações ou propostas diante dos desafios diários enfrentados pela população caribenha.

A resistência popular frente ao bloqueio econômico

Enquanto se preparava para as entrevistas, feitas para um documentário do BdF, Díaz-Canel detalhou como Cuba enfrenta um dos períodos mais difíceis de sua história. Ele explicou o impacto devastador do estrangulamento energético imposto pelos Estados Unidos, sem respaldo legal, nos últimos meses.

Desde que Washington ameaça qualquer país fornecedor de petróleo e combustíveis a ilha, as agressões agravaram uma guerra econômica já existente há mais de 60 anos na região.

Impedida da importação desses recursos vitais, a força nacional foi obrigada a operar com produção limitada para garantir os setores considerados essenciais; assim, houve um racionamento rigoroso no abastecimento geral de energia elétrica em todo o território cubano.

A organização comunitária diante dos desafios

O presidente destacou como essa situação gerou grande mobilização social: “Você percebe como o povo cubano reage”, afirmou ele. Segundo Díaz-Canel, não existe apagão que consiga apagar “a nossa vontade”, nem escassez capaz de destruir sua esperança.

Ele descreveu uma imagem de resistência heroica e criativa na ilha onde profissionais da saúde chegam aos postos mesmo sem luz para atender pacientes; professores dão aulas apesar das falhas no fornecimento elétrico, enquanto os camponeses continuam plantando alimentos até em falta combustível.

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Diálogo com EUA sob preceito soberano

Sobre a relação do país caribenho com Washington, o mandatário afirmou ter intenção de manter aberta as portas ao diálogo. No entanto, ele foi enfático: embora conversar seja possível, negociar é outra questão que não pode ser cedida ou tratada como item à venda pela gestão cubana.

“Nós sempre defendemos isso”, insistiu Díaz-Canel sobre este ponto histórico da revolução. Ele ressaltou ainda que qualquer conversa deve ocorrer “em condições de igualdade”.

Por fim, em um apelo por paz e estabilidade, Díaz-Canel pediu o fim das ameaças militares contra Cuba e defendeu “um mundo melhor”, com multilateralismo e sem sanções unilaterais coercitivas.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

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