Lula reeleito mantém pressão sobre os juros futuros: DI para janeiro de 2028 sobe a 14,435%
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) voltaram a subir na manhã de sexta-feira (30), ainda sob o efeito da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de dados que mostraram queda do desemprego no Brasil no terceiro trimestre deste ano.
Às 10h45, o DI para janeiro de 2028 estava em 14,435%, com alta de 7 pontos-base ante o ajuste de 14,366% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 15,3%, avanço de 7 pontos-base ante 15,234%. No exterior, o rendimento do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, caía 6 pontos-base, a 4,931%.
Desemprego recua para o menor nível da série
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego caiu para 5,2% no terceiro trimestre, a mais baixa para o período desde o início da série histórica, em 2012. O resultado ficou em linha com as expectativas dos economistas.
O rendimento real habitual do trabalhador ficou estável em relação ao trimestre anterior, em R$3.790, e subiu 3,6% na comparação anual.
Déficit fiscal preocupa o mercado
Os dados do Banco Central divulgados na quinta-feira mostraram que o setor público consolidado registrou em setembro um déficit nominal de R$113,0 bilhões, valor que já inclui o pagamento dos juros da dívida pública. Em 12 meses até setembro, o rombo chega a R$1,275 trilhão, ou 9,51% do Produto Interno Bruto (PIB).
O diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, classificou a situação em relatório. “O problema fiscal é muito grave e precisa ser enfrentado pelo governo sob pena de um grande desarranjo macroeconômico, nosso maior temor”, afirmou.
Ele também citou o endividamento privado: “Além da dívida do governo, as famílias e as empresas estão muito endividadas”.
Os investidores aguardam agora sinais sobre quem ocupará as principais pastas em 2027, como a Fazenda, e detalhes sobre a política fiscal do novo governo. Para o mercado, o ajuste das contas públicas é fundamental para controlar a inflação e, por consequência, reduzir os juros de forma sustentável.
Apostas se voltam para manutenção da Selic em 13,75%
O Banco Central anuncia na próxima quarta-feira sua primeira decisão sobre juros após o segundo turno. As preocupações com as contas públicas levaram a maior parte das apostas do mercado para a manutenção da taxa básica, hoje em 13,75% ao ano.
Na última quarta-feira, a precificação das opções de Copom negociadas na B3 apontava 66,5% de chance de manutenção da Selic na próxima reunião, contra 32% de probabilidade de corte de 25 pontos-base. No dia 23 de outubro, antes do segundo turno, os percentuais eram de 17,5% para manutenção e 76% para corte.
Rafael Sueishi, head de renda fixa da Manchester Investimentos, explicou a mudança de humor. “Antes das eleições, existia uma probabilidade maior implícita nos preços de uma continuidade no ciclo de corte de juros. E o que passamos a ver pós-segundo turno foi uma probabilidade maior de uma manutenção na próxima reunião”, disse.
Para ele, a eleição não alterou de imediato os fundamentos de inflação ou da atividade econômica. “O que mudou foi essa percepção de risco sobre a trajetória futura das contas públicas, continuidade da condução da política fiscal, e como isso pode impactar câmbio, curva de juros e expectativas de inflação”, acrescentou.
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