CPI dos EUA sobe 3,7% em 12 meses, acima dos 3,6% esperados pelo mercado

A inflação ao consumidor dos Estados Unidos avançou 0,6% em setembro, após subir 0,4% em agosto, e ficou acima do consenso no acumulado de 12 meses. Em entrevista ao CNN Money, o economista Matheus Pizzani, do Pic Pay, afirmou que a composição do índice pode levar o Federal Reserve (FED) a agir mais cedo contra a alta dos preços.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O índice de 12 meses chegou a 3,7%, ante expectativa de 3,6%. Para Pizzani, a pressão dos combustíveis, o avanço de componentes do núcleo da inflação e a resiliência dos serviços ajudam a explicar o pessimismo nos mercados.
Combustíveis e serviços pressionam a inflação
Pizzani disse que a alta dos combustíveis precisa ser considerada diante do cenário geopolítico. “Com guerra no Oriente Médio e com o preço do barril de petróleo rodando acima de 100 dólares, isso impacta toda a cadeia de combustíveis dos Estados Unidos é muito importante”, afirmou.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O economista também apontou resultados desfavoráveis no núcleo da inflação, conhecido como core inflation. Entre os bens industriais, os automóveis — especialmente os usados — tiveram uma variação de preços muito superior à registrada nos meses anteriores.
Nos serviços, educação, saúde e serviços financeiros superaram as expectativas do mercado. O componente de habitação, chamado shelter e equivalente ao aluguel residencial no IPCA brasileiro, acelerou pelo segundo mês consecutivo.
Payroll e decisão do Federal Reserve
Na avaliação de Pizzani, a persistência da inflação tanto pelo lado da oferta quanto pela demanda agregada aumenta a possibilidade de uma ação do FED em breve. “Um dado com essa composição negativa, força o mercado a acreditar que esse reajuste vem mais cedo, potencialmente na reunião de outubro”, disse.
O último relatório de emprego mostrou a criação de apenas 29 mil vagas, abaixo da expectativa de mais de 80 mil, enquanto a taxa de desemprego avançou para 4,2%. O economista explicou que o banco central americano tem um duplo mandato: controlar a inflação e maximizar o emprego.
Leia também
Apesar do resultado fraco do payroll, Pizzani afirmou que outras métricas, como a taxa de desemprego e o crescimento da renda dos trabalhadores, não foram afetadas severamente. “O mercado de trabalho está esfriando, mas sem que o número de demissões aumente de maneira simultânea”, complementou.
Segundo o economista, o comitê sob o comando de Kevin Warsh está cada vez mais inclinado a priorizar o controle da inflação. Ele avaliou que um mercado de trabalho relativamente equilibrado, após um período de juros restritivos, permite ao FED manter o foco nessa tarefa. “Estamos falando de um comitê voltado majoritariamente para cumprir o seu mandato de inflação, algo que eles não conseguem há cinco anos e que demanda uma atuação muito mais incisiva e parcimoniosa”, ressaltou.
Editoria:
Redação Economia
A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



