Queda de quase 12% leva bolsa da Indonésia ao pior dia em 28 anos após alerta da MSCI

A Bolsa da Indonésia caiu quase 12% nesta sexta-feira, a maior perda diária em 28 anos, depois que a MSCI alertou que pode retirar o país de seus índices. O aviso elevou o temor de saída de capital e de perda de atratividade para investidores na maior economia do Sudeste Asiático.
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As perdas do JCI (índice Jakarta Composite) no ano chegaram a cerca de 40%, enquanto a rupia recuou para 18.070 por dólar, menor nível desde o fim de julho. A moeda reduziu as perdas e voltou a operar perto de 18.000 por dólar.
MSCI avalia retirar ações da Indonésia de seus índices
Na quinta-feira, a MSCI abriu uma consulta sobre a possibilidade de reclassificar a Indonésia de mercado emergente para a categoria “standalone” (isolada). A mudança tiraria as ações do país dos principais índices acompanhados por fundos globais.
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Se a reclassificação for aprovada, a Indonésia se juntará a Argentina, Líbano, Ucrânia, Zimbábue e outros países na categoria. Também será o único país da Ásia-Pacífico nesse grupo.
A nova avaliação amplia o alerta feito em janeiro, quando a MSCI apontou a possibilidade de rebaixar a Indonésia para mercado de fronteira, citando problemas nas condições de investimento e na transparência. Na ocasião, o anúncio provocou uma liquidação de quase US$ 80 bilhões no mercado indonésio.
Bolsa interrompeu negociações após abrir em baixa de 8%
O JCI começou a sessão desta sexta-feira em queda de 8%, o que levou à suspensão das negociações por 30 minutos. Depois da retomada, as vendas aumentaram e o índice chegou a recuar quase 12%, a maior queda porcentual diária desde a crise financeira asiática de 1998.
A MSCI afirmou que as manifestações de investidores indicam que classificar o país como mercado de fronteira não refletiria a gravidade dos problemas. “Não foi observado progresso suficiente de forma consistente em todo o mercado acionário indonésio”, disse a instituição.
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“Persistem preocupações significativas sobre disfunções de mercado, incluindo suspeitas contínuas de operações coordenadas e falta de evidências de fiscalização efetiva.”
Indonésia promete manter diálogo sobre reformas
A Autoridade de Serviços Financeiros da Indonésia declarou que está “analisando cuidadosamente e dando séria atenção” às avaliações da MSCI. Em nota divulgada nesta sexta-feira, o regulador afirmou que seguirá conversando com provedores de índices e investidores institucionais, junto com entidades autorreguladoras, incluindo a bolsa indonésia.
O objetivo, segundo a nota, é apresentar o andamento das reformas no mercado de capitais e receber sugestões para novas melhorias. A MSCI aceitará contribuições até abril e divulgará a decisão final até o fim de junho de 2027. Também poderá publicar uma atualização intermediária sobre as respostas dos investidores.
Analistas do Citi escreveram que a classificação “standalone” seria “inequivocamente pior” do que o rebaixamento para mercado de fronteira. Nesse caso, não haveria entrada de recursos de índices de mercados de fronteira para compensar as saídas, e todo o capital passivo ainda ligado a referências de mercados emergentes teria de deixar o país.
Risco fiscal e política monetária preocupam investidores
Agências de classificação de risco também demonstraram preocupação com a situação fiscal da Indonésia e com programas amplos do governo que podem pressionar as contas públicas. A Moodys e a Fitch reduziram neste ano para negativa suas perspectivas para a nota soberana do país.
O Bank Indonesia enfrenta pressão para estimular o crescimento econômico e, ao mesmo tempo, conter a desvalorização da rupia, em meio aos receios fiscais e à saída de capital. Em entrevista na quinta-feira, a presidente do banco central, Destry Damayanti, disse que a estabilidade monetária e financeira continua sendo a prioridade máxima.
Destry afirmou que as decisões da instituição dependem dos dados e que, se o cenário global piorar, o banco poderá recorrer a outros instrumentos de política. Segundo ela, o foco atual é criar um “ambiente econômico propício ao crescimento real e à criação de empregos”.
Analista vê parte das perdas refletida nos preços
Para Kok Jun Yong, analista da iFAST, a avaliação mais recente da MSCI tem efeito neutro a levemente negativo para as ações indonésias. Um rebaixamento já se tornou, em grande medida, o cenário principal do mercado, e boa parte das vendas deste ano já ocorreu.
O analista avalia que alguns fundos ativos de mercados emergentes podem diminuir sua exposição antes da decisão de junho, mas considera que grande parte da queda já está incorporada aos preços. Ele também diferencia os problemas da Indonésia, ligados à governança, dos casos de Argentina e Rússia, onde controles de capital e sanções limitaram investidores estrangeiros.
“Embora o sentimento deva permanecer cauteloso no curto prazo, acho que, se houver implementação efetiva, especialmente fiscalização real, pode haver espaço para compras oportunistas nesses níveis de preço”, disse Kok.
Editoria:
Redação Economia
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