Carta de Flávio Bolsonaro pode abrir caminho para Alcolumbre buscar o terceiro mandato no Senado

Com a oposição enfraquecida e Rogério Marinho em baixa, Davi Alcolumbre se reaproxima de Lula e amplia os acenos para comandar a Casa em 2027.

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Foto: Reprodução/NeoFeed

Brasília – Após fugir do Brasil dois dias depois de sair derrotado nas eleições, e de chegar a se autoproclamar presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL) enterrou de vez as pretensões da oposição ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de comandar o Senado em 2027, disseram fontes da Casa ao Neo Feed.

A carta de teor golpista assinada por Flávio, em que ele se declara “líder do Brasil”, deixou as candidaturas da direita muito fragilizadas, admitem fontes da própria oposição. Para interlocutores, o estrago da carta foi maior que o da própria fuga para os Estados Unidos.

Rogério Marinho vê candidatura à presidência do Senado enfraquecida

O mais prejudicado, avaliam interlocutores, é o senador Rogério Marinho (PL-RN), principal pré-candidato virtual à presidência do Senado. Nos corredores, já se comenta que a candidatura dele “virou água”. Marinho coordenou a campanha de Flávio nas eleições de 2026 e apostava na vitória de Jair Bolsonaro (PL) para se cacifar como candidato natural a presidir a Casa, com força renovada do partido.

O PL elegeu 19 senadores em outubro e ficará com 28 no total, a maior bancada da Casa. “Agora com essa carta, muda tudo”, diz uma fonte da direita. Marinho, por sua vez, já refutou a tese de fraude eleitoral levantada por Flávio. “Nem o PL pode fazer essa afirmação, nem eu, porque não há provas nesse sentido”, disse o senador no Senado, à noite.

Alcolumbre amplia acenos e tenta o terceiro mandato

Davi Alcolumbre (União-AP) tenta o terceiro mandato na presidência do Senado, e a corrida começou meses atrás. Presidente da Casa pela segunda vez, ele apostou na reeleição de Lula e se reaproximou do petista em agosto, depois de impor uma grande derrota política ao presidente com a rejeição de Jorge Messias para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), vaga até hoje.

Lula não indicou à época Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o Supremo, mas poderá fazê-lo ainda, como aceno ao presidente do Senado. Nos bastidores, Alcolumbre já sinaliza apoio a alguma anistia aos condenados pelo 8 de janeiro de 2023 e até a uma PEC para reduzir a idade máxima de ministros do STF, confirmou uma fonte do Senado ao Neo Feed. O cálculo dele previa que, com a vitória de Flávio, um Senado mais conservador elegeria Marinho em fevereiro de 2027. Esse cenário, que parecia improvável após o primeiro turno, em que Flávio venceu Lula, agora muda de configuração, na avaliação de senadores que acompanham as negociações.

A federação União-PP já soltou nota apoiando a reeleição de Alcolumbre, um dia após a virada inédita de Lula nas urnas. O texto foi assinado por Antônio Rueda, presidente do União, e por Ciro Nogueira, do PP, ambos apoiadores de Flávio nas eleições deste ano.

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Tereza Cristina entra no páreo e fala em candidatura única

Por enquanto, não há previsão de desistência de Marinho, que vem reforçando a aliados que pretende disputar a presidência do Senado. Um senador da direita ouvido pelo Neo Feed afirmou, porém, que há margem para pavimentar uma candidatura única da oposição, com Marinho e a senadora Tereza Cristina (PP-MS).

Líder do PP no Senado, Tereza também quer a presidência da Casa e, logo após a nota da federação, adotou postura contrária, sinalizando que está no páreo. Aliados apontam que o perfil articulador e conciliador dela pode render votos fora do espectro da direita. Na terça, 27 de outubro, ela publicou em suas redes que a eleição será em fevereiro, que receberá todos os 52 novos senadores, eleitos em 2026, e que quer ouvir todos. Em nota, Tereza disse não compactuar com o comportamento de Flávio Bolsonaro. “A eleição acabou, e agora é hora de olhar para a frente e cuidar do Brasil que queremos construir”, afirmou.

Pela frente, Marinho e Tereza também terão de lidar com a pressão da bancada de partidos à direita para avançar com pedidos de impeachment de ministros do STF, principal bandeira desse campo político, que elegeu vários senadores em 2026.

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