Marinho admite que “não há provas” de fraude eleitoral e contradiz a carta de Flávio Bolsonaro

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), comentou na quarta-feira (28) a carta de teor golpista divulgada pelo candidato. Flávio fugiu com a família para os Estados Unidos depois de ser derrotado nas urnas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Na primeira versão, publicada na rede social X, Flávio se apresentava como o “verdadeiro presidente eleito do país”. Cerca de meia hora depois, o texto saiu do ar, e uma segunda versão trocou a expressão por “líder do Brasil”.
Marinho atribui mudança a problema na confecção da carta
Em coletiva de imprensa a jornalistas no Senado, Marinho afirmou que a carta em vigor, tratada por ele como a versão oficial e definitiva, mostra Flávio como líder. “De fato, Flávio, pelo número de votos que teve, pelo papel que desempenhou nas últimas eleições, é hoje a maior expressão da direita no Brasil”, declarou.
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Sobre a troca do termo, o senador disse que “deve ter havido algum problema na confecção da carta”.
Marinho também foi questionado sobre a alegação de fraude na eleição brasileira, feita por Flávio na carta sem apresentar provas. Ao responder, ele reconheceu que não há evidências. “O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido”, admitiu.
Para o senador, a acusação seria um “desabafo” de Flávio por ter decidido deixar o país. Marinho chamou o ex-candidato de “exilado”, embora Flávio tenha saído do Brasil de forma voluntária e sem ordem de prisão.
Investigações e foro: o que muda para Flávio em 2027
Flávio responde a uma série de investigações por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Em uma delas, ele aparece como suspeito, ao lado do advogado Willer Tomaz, de lavar dinheiro por meio de plataformas de bets.
Há ainda outro inquérito, que apura o financiamento do filme Dark Horse, obra que retrata a trajetória de seu pai. Quando o mandato de senador terminar, a partir do ano que vem, ele perde o foro privilegiado e a imunidade parlamentar.
Em comunicado enviado à imprensa pela assessoria, Flávio afirmou que vai liderar a oposição a partir dos Estados Unidos e que assumirá riscos que os parlamentares eleitos do PL não poderão assumir.
Antes de deixar o país de forma clandestina, em um avião de luxo fretado que decolou da Argentina com apoio do governo argentino, Flávio tinha contra si apenas uma ordem judicial para entregar o passaporte à Polícia Federal (PF). Para Marinho, essa medida seria um impedimento para exercer a liderança da oposição em solo brasileiro. “Na verdade, é o que ele pode fazer. Porque aqui no Brasil é impossível, pelo menos pelos sinais que estavam sendo demonstrados, que ele pudesse exercer esse papel [de líder da oposição]”, afirmou.
Carta questiona votação e prazo estendido pelo STF
Na carta, o candidato derrotado diz que a eleição foi fraudada e critica a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin de estender o horário de votação até as 19h, atendendo a pedido das campanhas do PL e do PT. As duas horas extras registraram apenas 34.393 votos.
No segundo turno, realizado no último domingo (25), Lula obteve 64 milhões de votos, e Flávio ficou com pouco mais de 59 milhões. Cerca de 158,7 milhões de eleitores estavam aptos a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As alegações de Flávio contrariam a apuração e o reconhecimento do pleito pelo TSE. A Organização dos Estados Americanos (OEA) e líderes de diversos países de diferentes continentes também reconheceram o resultado. O próprio PL, partido de Flávio, aceitou a vitória de Lula nas urnas.
Sobre a declaração de Donald Trump, presidente dos EUA, de que “não irá se envolver” no caso, Marinho afirmou que Trump pode opinar sobre política internacional, mas que cabe ao Brasil resolver os próprios problemas. Ele rejeitou qualquer intervenção estrangeira. “Eu espero que não haja nenhuma intervenção no processo interno do Brasil”, disse.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.
Editoria:
Redação Política
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