BTG Pactual vê stablecoins como o Pix das transferências internacionais em até cinco anos

André Portilho, head de digital assets do banco, diz que bancos brasileiros têm “muito mais a ganhar do que a perder” com a nova infraestrutura.

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Stablecoin | Foto: Reprodução/NeoFeed
Stablecoin | Foto: Reprodução/NeoFeed

Depois de o Pix mudar os pagamentos no Brasil, o BTG Pactual aposta que as stablecoins podem produzir efeito parecido nas transferências internacionais. Segundo André Portilho, head de digital assets do banco, essas moedas digitais, geralmente atreladas ao dólar, devem ganhar escala nos próximos três a cinco anos.

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Na prática, a promessa é deixar o envio de dinheiro entre países tão rápido e barato quanto um pagamento doméstico. Portilho falou ao Neo Feed durante o Swell, evento promovido pela Ripple em Nova York.

Bancos podem ganhar com a nova infraestrutura

Portilho citou três fatores para explicar a aceleração: o amadurecimento da tecnologia, a regulação que permite a participação de grandes bancos e a educação sobre o tema dentro das instituições. “Esse movimento é a união de três forças: o amadurecimento da tecnologia, a regulação para que grandes bancos possam participar e a educação sobre essa tecnologia dentro das instituições. Essas três forças agora estão se juntando”, disse.

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O executivo reconhece que os bancos talvez precisem abrir mão de parte da receita ligada aos modelos tradicionais de pagamento. Ainda assim, ele avalia que as instituições brasileiras têm “muito mais a ganhar do que a perder”, já que a nova estrutura pode abrir outras fontes de receita. “Desde o primeiro momento, geramos receita nova para o banco. Isso acaba permitindo que a gente consiga fazer tudo que fez, porque torna um negócio sustentável”, afirmou Portilho.

O BTG Pactual fechou junho com R$ 930 bilhões em ativos totais, alta de 14,9% sobre os R$ 809,3 bilhões registrados em dezembro de 2025. O banco, porém, não divulga separadamente quanto os ativos digitais contribuem para o resultado.

Interesse em criptoativos vem desde 2017

O envolvimento do BTG com ativos digitais começou quase uma década atrás, antes de as stablecoins ganharem popularidade. De acordo com Portilho, o banco atua no segmento desde 2017, inicialmente com operações de arbitragem envolvendo criptomoedas.

Desde então, a atuação se expandiu para outras aplicações da blockchain, incluindo a tokenização de ativos financeiros. Uma das iniciativas mais recentes é uma parceria entre a Ripple e a CSD BR, infraestrutura autorizada a registrar, depositar e liquidar ativos financeiros.

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Em uma primeira etapa, cotas de fundos de investimento do BTG custodiadas na CSD BR ganharão versão tokenizada, com os registros replicados na XRP Ledger, blockchain pública usada no projeto. A tecnologia servirá como camada extra de consulta e auditoria, levando a tokenização para operações reais do mercado.

Segundo a CSD BR, a empresa tem mais de R$ 22 trilhões em ativos registrados.

Se a fase inicial der certo, a parceria pode avançar para a emissão de ativos diretamente em blockchain e para negociações entre participantes autorizados. Entre os instrumentos analisados estão os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA).

Integração com bancos tradicionais é o caminho

Para Markus Infanger, vice-presidente da RippleX, a tokenização não vai substituir bancos nem as estruturas tradicionais do mercado financeiro. Na visão dele, a mudança deve acontecer pela integração entre os dois sistemas. “Queremos fazer a compatibilidade com o sistema que funciona hoje, as regras e tudo isso”, afirmou Infanger, durante o Swell.

Para o executivo, a adoção da nova infraestrutura depende da colaboração com instituições financeiras já consolidadas. Portilho, por sua vez, afirmou que o BTG prepara novos anúncios sobre ativos digitais para os próximos meses, com a expectativa de que stablecoins e ativos tokenizados ganhem cada vez mais espaço no sistema financeiro tradicional.

A repórter viajou a convite da Ripple.

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