Alcolumbre conta com Arthur Lira para garantir reeleição no comando do Senado em 2027
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), aposta na ajuda do senador eleito Arthur Lira (PP-AL) para fechar um acordo que garanta sua reeleição ao comando da Casa em fevereiro de 2027.
Lira deve ajudar a superar resistências dentro do PP e em setores do centro mais ligados ao bolsonarismo, que defendem uma candidatura própria contra Alcolumbre. Ele é apontado como possível sucessor apoiado por Alcolumbre para 2029, em troca do apoio à reeleição do amapaense em 2027.
Federação União Progressista anuncia apoio a Alcolumbre
A articulação ganhou fôlego na terça-feira (27), quando a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou apoio à recondução de Alcolumbre. A disputa na direita, porém, continua aberta.
O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) disse que não votará no atual presidente. Ele pediu que os oposicionistas se unam em torno de um único nome e citou Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) como possibilidades.
Nesse quadro, Lira é visto como peça-chave para aproximar Alcolumbre de parlamentares que resistem à permanência dele no cargo. Ele mantém diálogo com diferentes grupos do Congresso e tem boa relação com petistas, como o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o líder do governo na Câmara, José Guimarães, e a ministra Gleisi Hoffmann.
Essa proximidade pode sustentar o acordo, que também conta com o apoio do governo Lula.
Governistas reclamam da declaração de apoio de Lira a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, mas a avaliação sobre a sucessão no Senado é pragmática. Aliados de Alcolumbre pesam a força que Lira deve ter na próxima legislatura e sua circulação entre parlamentares de campos ideológicos distintos.
A aposta é reunir governistas, centro e parte da oposição, apesar das divergências sobre a atuação de Alcolumbre, sobretudo na abertura de processos de impeachment contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
Lira quer a CCJ e mira a Presidência depois
A negociação também pode abrir caminho para as pretensões de Lira no Senado. O senador eleito quer comandar a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), vista como uma das mais importantes da Casa, e o posto pode entrar na conta das articulações.
Nos bastidores, Lira já manifestou a interlocutores o desejo de disputar a Presidência do Senado em uma legislatura posterior, sucedendo Alcolumbre. Pela CNN Brasil, ele não pretende disputar a Presidência em fevereiro de 2027, mas deve atuar com força nas negociações. Na prática, sua influência não depende de ser candidato agora.
Atuação em crises e nas alianças de Alagoas
Lira já foi acionado em momentos de tensão. Durante a gestão de Hugo Motta (Republicanos-PB), participou de articulações para solucionar impasses, como no episódio em que deputados ocuparam o plenário e se sentaram na cadeira da Presidência da Câmara.
Em Alagoas, o peso dele também apareceu na montagem das alianças. A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL) como vice de Flávio Bolsonaro mexeu com a disputa local e abriu espaço para rearranjos que favoreceram a candidatura de Lira ao Senado.
Aliados atribuem à capacidade de articulação de Lira e à sua influência no interior do estado parte do sucesso de João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), na eleição para o governo alagoano. Já a sucessão do Senado será definida em fevereiro de 2027, na abertura da próxima legislatura, e o vencedor terá de reunir ao menos 41 dos 81 votos da Casa.
Editoria:
Redação Política
A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.