Israel vai às urnas pela 1ª vez desde 7 de outubro de 2023, com segurança e custo de vida em jogo

A população de Israel foi às urnas na terça-feira (27) para a primeira eleição nacional desde os ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023. A participação foi descrita como recorde, e os motivos que levaram os israelenses a votar ultrapassam a questão palestina.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Entre eles estão a segurança, a política externa com os Estados Unidos, a situação dos ultra-ortodoxos e o custo de vida. Cada um desses temas pesa de forma diferente no eleitorado.
Alerta anterior aos ataques volta ao centro do debate
A segurança é uma preocupação antiga dos israelenses, e os ataques de 7 de outubro a recolocaram no centro da disputa eleitoral. Em setembro, o jornal israelense Haaretz publicou que os Emirados Árabes Unidos teriam alertado o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sobre os ataques do Hamas antes que acontecessem.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Ainda segundo a publicação, Netanyahu teria afirmado que Israel estava preparado para o que quer que viesse. Dez dias depois, porém, mais de 1.200 pessoas morreram nos ataques.
A reação foi forte. Quatro líderes da oposição, entre eles o ex-chefe militar Gadi Eisenkot, o líder da oposição Yair Lapid e o ex-primeiro-ministro de Israel Naftali Bennett, divulgaram uma rara nota conjunta. No documento, criticam Netanyahu e pedem que ele seja investigado pelo que chamaram de “uma falha grave de segurança naquele 7 de outubro”.
Netanyahu nega as informações da reportagem, mas o caso ganhou peso na reta final da campanha.
Dependência militar dos Estados Unidos entra na disputa
A relação com Washington também está entre os temas em jogo. Os Estados Unidos destinam US$ 6,8 bilhões por ano em ajuda militar a Israel, que inclui sistemas de interceptação de mísseis Patriots, caças F-35 e outras munições de fabricação americana.
Para Lourival Sant Anna, essa dependência “incomoda os israelenses”. O analista, porém, aponta um trunfo para Netanyahu: “ele foi o único líder israelense que conseguiu arrastar um presidente americano para uma guerra contra o Irã, que é o grande inimigo de Israel”.
Segundo essa avaliação, o conflito enfraqueceu a economia iraniana, os arsenais do país e grupos apoiados por Teerã, como o Hezbollah e o Hamas. Recentemente, Donald Trump declarou apoio a Netanyahu, depois de um período de críticas públicas trocadas entre os dois.
Isenção de ultra-ortodoxos e custo de vida pesam no voto
No plano interno, o serviço militar dos ultra-ortodoxos é um dos pontos mais polêmicos. Netanyahu fechou um acordo para manter a isenção militar desse grupo, que faz parte da sua base de apoio no governo.
Além disso, famílias ultra-ortodoxas recebem transferências de renda por cada filho. A medida provoca controvérsia entre israelenses mais laicos, que não aceitam esse benefício para famílias que, nas palavras de Lourival, “não trabalham e passam o dia inteiro estudando nos seminários judaicos”.
O custo de vida e a inflação também preocupam o eleitorado. A imagem internacional de Israel, sobretudo na Europa, onde sanções foram impostas ou anunciadas contra empresas de colonos judeus na Cisjordânia, divide parte dos eleitores, especialmente os que têm vínculos culturais com o continente.
Editoria:
Redação Internacional
A Redação Internacional reúne a cobertura do Clique Fatos sobre os principais acontecimentos fora do Brasil. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



