Acordo de segurança entre EUA, Groenlândia e Dinamarca prevê novas bases militares no Ártico
Acordo ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos da Groenlândia e da Dinamarca para entrar em vigor.
Os Estados Unidos, a Dinamarca e a Groenlândia firmaram um acordo de segurança histórica nesta terça – feira (22), encerrando meses de tensão diplomática que se arrastavam desde as repetidas ameaças do presidente americano, Donald Trump, de anexar o território dinamarquês autônomo.
O novo pacto, que complementa um tratado de defesa de 1951 entre os EUA e a Dinamarca, dá a Washington o controle sobre a segurança da ilha e estabelece novas bases militares no Ártico.
O texto, divulgado pelo governo dinamarquês, detalha uma série de concessões militares e restrições geopolíticas, mas também impõe limites à atuação americana em áreas sensíveis, como a mineração. O acordo ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos da Groenlândia e da Dinamarca antes de entrar em vigor.
Presença militar ampliada e novas bases
Pelo acordo, os Estados Unidos ganham autorização para instalar duas novas bases militares na ilha — uma em Narsarsuaq, no sul da Groenlândia, e outra em Mestersvig, na costa leste. Além disso, poderão expandir a Base Espacial de Pituffik, atualmente a única base ativa dos EUA na região.
Aeronaves e embarcações americanas também obtêm direitos de sobrevoo, pouso e operação submarina em toda a Groenlândia, incluindo suas águas territoriais. O documento, no entanto, não especifica o efetivo de tropas que será enviado nem define cronogramas para a implementação das medidas.
Otan, independência e restrições a rivais
O tratado expressa apoio a uma presença mais forte da Otan no Ártico. A Dinamarca se compromete a reforçar sua própria postura de segurança na região. Caso a Groenlândia se torne independente, tanto a Dinamarca quanto a ilha devem garantir que o novo Estado permaneça na aliança militar, solicitando a adesão, se necessário.
Países que não são membros da Otan estão proibidos de manter uma presença militar permanente na Groenlândia. A medida mira diretamente Rússia e China, que nos últimos anos intensificaram sua atuação no Ártico.
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Respeito à cultura local e limites econômicos
O acordo afirma respeitar o direito dos groenlandeses à autodeterminação. Nos termos do documento, os EUA devem agir de maneira a respeitar a sociedade e o modo de vida locais.
Por outro lado, o pacto não aborda interesses ou investimentos americanos no setor de mineração e recursos naturais da Groenlândia — uma das principais riquezas da ilha. O texto também proíbe que investidores de fora dos Estados – membros da Otan, de parceiros da aliança ou da União Europeia tenham controle ou influência significativa sobre setores sensíveis.
Caberá à Groenlândia analisar os investimentos para garantir o cumprimento dessas regras.
O acordo não tem data de término e só poderá ser alterado mediante consentimento mútuo entre as três partes.