Zema propõe privatizar Petrobras e Banco do Brasil; economistas questionam efeito fiscal

Privatizações no centro do debate econômico
A proposta do pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), de privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil, tem gerado um intenso debate no cenário político e econômico do país. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Zema apresentou um plano com foco em privatizações, cortes de gastos e redução da máquina pública para, segundo ele, diminuir a dívida e combater a corrupção.
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A iniciativa reacendeu discussões sobre o papel do Estado na economia e os impactos das privatizações.
O ex-governador de Minas Gerais argumenta que o governo federal enfrenta um déficit crônico, recorrendo a empréstimos para equilibrar as contas, o que, consequentemente, aumenta a dívida pública. A venda de empresas estratégicas, como a Petrobras e o Banco do Brasil, seria uma forma de obter recursos imediatos e aliviar o endividamento do país.
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No entanto, especialistas alertam que a questão vai além da simples arrecadação de dinheiro, questionando se a privatização realmente resolveria os problemas estruturais da economia brasileira.
Análise dos especialistas: além da arrecadação
O economista Pedro Faria, por exemplo, ressalta que a venda de estatais pode gerar um alívio fiscal temporário, mas não aborda as causas profundas do problema fiscal. Segundo ele, a receita obtida com a privatização é um efeito imediato, sem alterar as raízes do déficit.
O déficit nominal do país, que considera tanto o resultado entre arrecadação e gastos quanto o pagamento de juros da dívida, é fortemente impactado pela taxa de juros elevada, que influencia o peso da dívida pública.
Faria argumenta que períodos de queda do endividamento estão associados a crescimento econômico e juros menores, enquanto políticas de austeridade, privatizações e baixo crescimento econômico não produzem uma redução estrutural da dívida. A Petrobras, por sua vez, é vista como uma empresa lucrativa e estratégica, com um papel importante na economia do país.
Petrobras: lucro e papel estratégico
Em 2025, a Petrobras teve lucro cerca de 200% maior que o do ano anterior. A estatal movimenta cifras significativas para o setor público, pagando R$ 277,6 bilhões em tributos, participações especiais e royalties à União, estados e municípios.
Pedro Faria destaca que a Petrobras exerce um papel econômico que vai além da geração de lucro, atuando como um agente de equilíbrio em setores concentrados, como o de petróleo e gás.
A estatal lidera tecnologias de exploração em águas ultraprofundas, como o pré-sal, um segmento que exigiu investimento e visão estratégica. Faria argumenta que a descoberta do pré-sal dificilmente teria ocorrido sem a atuação do Estado, devido ao alto risco e retorno de longo prazo do projeto.
A empresa também se destaca pela sua atuação em inovação tecnológica, investindo em pesquisa e desenvolvimento.
Privatização, eficiência e o papel do Estado
Um dos pontos centrais do debate é a questão da eficiência. Defensores da privatização argumentam que empresas estatais são menos eficientes do que companhias privadas, enquanto especialistas como Pedro Faria contestam essa visão, afirmando que a eficiência depende mais da forma como a empresa é administrada, e não do controle estatal ou privado.
Ele cita a própria Petrobras como exemplo de empresa pública competitiva internacionalmente, com domínio tecnológico reconhecido em exploração de petróleo em águas profundas.
Faria ressalta que existem tanto estatais eficientes quanto empresas privadas ineficientes, especialmente em setores concentrados por poucos grupos econômicos. A crítica feita por ele é que determinados oligopólios privados podem gerar preços elevados e baixa concorrência, o que, do ponto de vista social, também representaria ineficiência.
Ele menciona modelos internacionais, como empresas estatais presentes em países como a China e a Noruega, que atuam com forte participação pública em setores estratégicos.
Reações políticas
As declarações de Zema geraram críticas entre parlamentares da oposição. A deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL) questionou a gestão fiscal de Zema em Minas Gerais, apontando o aumento da dívida estadual, e rebateu o discurso de austeridade.
Já a deputada Ana Paula Siqueira (PT) criticou a proposta, argumentando que ela não enfrenta problemas sociais considerados prioritários, como combate à fome, acesso à moradia, educação e saúde. Ela também contestou a narrativa de enxugamento da máquina pública, citando reajustes salariais concedidos durante o governo estadual.
Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.
Editoria:
Redação Economia
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